Morre ex-primeiro-ministro e histórico socialista francês Michel Rocard

Paris, 2 jul (EFE).- O ex-primeiro-ministro e líder histórico do socialismo francês Michel Rocard morreu neste sábado, aos 85 anos, informaram os veículos de comunicação franceses.

Rocard, que exerceu o cargo de chefe do Executivo durante o mandato do presidente François Mitterrand, de 1988 a 1991, liderou durante décadas o ala moderada do Partido Socialista e era considerado um europeísta convicto. Segundo a imprensa francesa, Rocard morreu no Hospital Pitié-Salpétrière, em Paris, de forma repentina, apesar de já estar como uma saúde frágil há algum tempo.

Nascido em 1930, em Courbevoie (ao oeste de Paris), aliou à militância socialista aos 19 anos, primeiro no Partido Socialista Unificado (PSU) e depois, em 1974, no Partido Socialista. Em maio de 1988, se tornou primeiro-ministro de Mitterrand, com quem manteve épicas divergências por sua visão de esquerda, interpretadas à época como uma concessão à alma mais social-democrata do partido ou, como se chamou na França, "a segunda esquerda".

Rocard liderou o próprio partido durante alguns meses entre os anos de 93 e 94, quando foi a Bruxelas como eurodeputado no Parlamento Europeu, no qual ficou até 2009.

Ferrenho europeísta, em sua última entrevista, há apenas duas semanas, defendeu o "Brexit" na revista "Le Point", já que, em sua opinião, a União Europeia (UE) se livraria do freio que o Reino Unido representa para a sua integração.

Além de seus cargos institucionais e orgânicos, Rocard deixou marca com suas teses sobre a necessária modernização da esquerda, aproximando-a ao liberalismo, que criaram uma escola no socialismo francês da qual bebem, por exemplo, o atual presidente, François Hollande, e o atual primeiro-ministro, Manuel Valls.

Sobre tal perda, Valls afirmou que deve a Rocard o seu compromisso político.

"Entrei na política por e para Michel Rocard. Porque ele disse em 1978 que o fracasso da esquerda não era o destino. Porque disse antes dos outros que a mudança passa pela reforma e não pela ruptura", afirmou o primeiro-ministro em comunicado.

Já Hollande enalteceu o comprometimento de "um socialismo que conciliava a utopia com a modernidade".

"Rocard não separava jamais suas ações de seus ideais. Michel Rocard era um sonhador realista, um reformista radical, movido pelas ideias. Até seu último suspiro seguiu expressando ideias e propondo soluções. Nunca mostrou nostalgia ou arrependimento. Só contava com o futuro", disse, em nota, o presidente da França.

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