Hotéis para refugiados, alternativa digna à aglomeração em acampamentos

Atenas, 3 jul (EFE).- Walid e sua família não precisam fazer fila todas as manhãs para a distribuição de comida, para ir ao banheiro ou tomar banho, como a imensa maioria dos mais de 57 mil refugiados que estão parados na Grécia, devido ao fechamento das fronteiras, e que vivem em centros de acolhida e em acampamentos improvisados.

Esta família iraquiana faz parte dos 5.200 refugiados que, dentro de seu indiscutível drama pessoal, têm a sorte de estarem hospedados em hotéis, apartamentos e em famílias, dentro de um programa do governo grego financiado pela União Europeia (UE) e pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

O objetivo deste programa é oferecer teto em casas e hotéis a 20 mil refugiados.

Walid, sua esposa Mes e seus dois filhos vivem, junto com outros 75 refugiados sírios e iraquianos, em um pequeno hotel na cidade de Roviés, na ilha de Eubea.

Aqui não há refugiados amontoados em tendas de campanha - no melhor dos casos montadas no interior de instalações industriais abandonadas - passando o dia sem saber o que fazer, vendo passar as horas e à espera de receber resposta para seu pedido de asilo.

No pátio de entrada do hotel, sob a sombra das árvores, cerca de dez crianças ficam vagando e brincando com Mijalis, o gato do hotel.

Em uma mesa outras três crianças jogam cartas e nas mesas próximas grupos de adultos tomam café ou chá.

Walid e sua família estavam há 15 dias neste hotel. Chegaram à ilha de Lesbos em 26 de fevereiro e após seu registro viajaram de barco até Kavala, no norte da Grécia, de onde foram levados a um centro de apoio que tinha sido preparado o mais rápido possível, pois se aproximava a evacuação do acampamento improvisado de Idomeni.

"Lá não há vida. Tínhamos só comida e um lugar para dormir", disse Walid à Efe, acrescentando que ficou no local com a família por quatro meses.

Quando foi informado por agentes do serviço de asilo grego e por funcionários do Acnur sobre o programa de realocação se registrou imediatamente, o que por sua vez permitiu entrar neste plano de alojamento em casas e hotéis particulares.

Walid foi pré-selecionado para ficar na França e se sente muito feliz, apesar de que a França não tenha sido um dos cinco países que tinha posto em sua lista de preferências.

"Sou feliz, porque estaremos todos em segurança. Não tenho planos para o futuro. Aprendi a ficar contente com o dia a dia", disse.

Da França Walid só sabe que em Paris fica a Torre Eiffel e o Louvre e a primeira coisa que quer fazer, quando chegar lá é visitar esse museu "para ver a Mona Lisa".

Walid e os demais inquilinos têm escrito nos seus rostos que a estadia neste hotel lhes dá finalmente uma sensação de segurança, após uma odisseia entre passagens ilegais de fronteiras, travessia pelo mar Egeu e a permanência durante meses em acampamentos.

Sinaz, uma síria que deixou Aleppo em dezembro com seus dois filhos de quatro e de sete anos, não está preocupada com em país será alojada.

"O importante é que meus filhos tenham certeza e que possam ser escolarizados, pois até agora não puderam ir ao colégio", disse, explicando que nem sequer falam árabe, só curdo, sua língua materna.

O hotel está no programa do Acnur há somente um mês e por isso, por enquanto, não há atividades organizadas.

"Propomos iniciar, o mais rápido possível, uma série de atividades, cursos de inglês, aulas de teatro, inclusive pensamos formar um coro", explicou Andonis Grigorakosbde da ONG Solidarity Now que administra este hotel.

Pôr os refugiados em contato com a sociedade local é um dos principais alvos da Solidarity Now e do hoteleiro que está pessoalmente envolvido nisto.

Já está sendo programada uma festa com música árabe e grega na praça do povo para festejar o fim do Ramadã; a participação de uma equipe do hotel no torneio local de futebol de salão e a de outro no festival local de danças.

Os refugiados se ofereceram, além disso, para reparar o parque infantil municipal.

"Queremos dar uma imagem positiva de nós", explicou Mohammed, um sírio de Aleppo que entre os países de sua preferência para ser realocado pôs também Espanha, porque quando trabalhava como garçom em sua cidade natal conheceu vários espanhóis, que lhe deram a impressão que "lá há boas pessoas".

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