Governo iraquiano promete endurecer contra terrorismo, em meio à ira do povo

Amre Hamid.

Bagdá, 4 jul (EFE).- O governo do Iraque prometeu nesta segunda-feira aumentar as punições e esforços contra o terrorismo, após o atentado suicida que ontem causou em Bagdá pelo menos 180 mortes e deixou 230 feridos, em meio a um ambiente de raiva contra a suposta negligência das forças de segurança nesse ataque.

Em comunicado, o Ministério da Justiça prometeu que as autoridades judiciais aplicarão "muito em breve" as penas de morte a "um grupo de criminosos sentenciados conforme à lei antiterrorista". Na nota, o Ministério qualificou o atentado de "traidora ação terrorista" e afirmou que "coincide com as vitórias das forças iraquianas que libertam o país do jugo terrorista", em alusão à ofensiva feita contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

O governo também apresentou suas condolências "aos familiares dos mártires desta enorme tragédia".

"Nos comprometemos a prosseguir aplicando o castigo justo a todos os que tentem prejudicar ou aterrorizar o povo iraquiano", enfatizou a nota.

Esta mensagem foi divulgada horas mais tarde e em consonância à ameaça que o primeiro-ministro iraquiano, Haidar al Abadi, fez durante uma visita ao Comando da Força Aérea iraquiana, sobre uma dura resposta ao EI. Segundo um comunicado, ele pediu ao Comando de Operações de Bagdá que acelere os esforços para estabelecer "o cinturão de segurança" ao redor da capital.

Também pediu a retirada dos aparatos portáteis de detecção de explosivos falsos ADE, por cuja venda o empresário britânico James McCormick foi condenado em 2013 a dez anos de prisão. Nesse sentido, al Abadi mais investigações dos "contratos corruptos de aquisição dessas equipamentos e perseguir os órgãos envolvidos". Ele também pediu acelerar a instalação de aparelhos eficazes para inspecionar os veículos.

Segundo o primeiro-ministro iraquiano, apesar dos terroristas tentarem "desviar" o andamento de seu governo e suas forças de segurança, a resposta "será dura e em seus próprios redutos de Al-Anbar a Mossul".

O atentado criou também uma atmosfera de conflito entre a população da área onde aconteceu o ataque e que é majoritariamente xiita. Os moradores se vestiram de preto hoje e criticaram a suposta negligência das autoridades por não ter evitado o ataque suicida.

Segundo uma fonte do conselho local de Karrada, passada a meia-noite do domingo para segunda-feira, centenas moradores foram às ruas para protestar e exigir que os políticos - tachados de corruptos - prestem contas pelo ocorrido.

A marcha começou na Praça de Kahramana e, entre fortes medidas de segurança, foi até o lugar do atentado, que no momento do ataque estava cheio, já que era uma região comercial, onde as pessoas passam à noite durante o período do Ramadã.

Enquanto uns protestavam, outros enterravam seus parentes e amigos, enquanto outros aguardavam a recuperação dos corpos de seus parentes entre os escombros.

"A tristeza impera em Karrada. Os funerais estão por todos os lugares. Os cortejos acontecem desde ontem e ainda não sabemos o que aconteceu com muitas pessoas", afirmou à Agência Efe Abu Ali al Amiri, morador da cidade.

Uma das reivindicações da manifestação, inclusive, era intensificar a busca dos desaparecidos.

A ira mostrada hoje também ficou visível ontem durante a visita de Al Abadi, que teve o carro atacado com pedras e até sapatos, uma grande ofensa no mundo árabe.0

O atentado do domingo, realizado com um carro-bomba no distrito comercial de Karrada e reivindicado pelo EI, é o ataque individual mais sangrento deste ano no Iraque. O EI assumiu a autoria em comunicado assinado por seu filial na capital iraquiana, Wilayat Baghdad, e divulgado nas redes sociais, no qual garantiu que o alvo eram os xiitas.

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