Venezuela e "brexit" não terão impacto no acordo Mercosul-UE, afirma Macri

Bruxelas, 4 jul (EFE).- O presidente da Argentina, Mauricio Macri, minimizou nesta segunda-feira os possíveis impactos da crise da Venezuela e do "brexit" sobre a negociação para um acordo de associação entre o Mercosul e a União Europeia (UE).

"Não vejo nenhum tipo de conflito interno dentro do Mercosul. Há uma agenda já aprovada por todos para avançar nas conversas com a UE", disse Macri em entrevista coletiva após ter se reunido com vários representantes da Comissão Europeia (CE), com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e com o rei da Bélgica, Filipe.

Sobre o possível impacto da futura saída do Reino Unido da UE nas negociações para um acordo de associação, o presidente da Argentina disse que a decisão correspondente ao povo britânico, mas destacou que "esse é um processo longo que acabou de começar".

"Além disso, penso que se abre uma enorme oportunidade para aprofundar a integração entre UE e o Mercosul", disse Macri, que revelou que Tusk garantiu que o bloco europeu vai continuar focado em fazer as conversas avançarem.

Em maio, a UE e quatro países do Mercosul - Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - superaram a barreira de voltar a trocar ofertas de acesso a mercados, algo que não ocorria desde 2004 e que ambos os lados perseguiam desde 2010, quando retomaram os diálogos.

"Vamos com uma visão otimista e positiva, sabendo que a troca de ofertas inicial é o começo de um processo que queremos que avance mais rápido. Esse é o objetivo de todos", destacou Macri.

Quanto à insistência de vários países da UE para introduzir barreiras para proteger setores sensíveis, como a pecuária e o setor lácteo nas negociações para um acordo de associação - que inclui um tratado de livre-comércio -, Macri afirmou que "claramente o capítulo agrícola é um ponto de conflito".

Em abril, 13 países europeus, incluindo França, Áustria e Grécia, pediram que produtos agrícolas "sensíveis" fossem excluídos da troca de ofertas com o Mercosul, ao avaliar que a entrada deles teria efeitos negativos para o setor na Europa, já muito afetado pela crise de preços.

"Acho que temos que encontrar vias para avançar, porque para nós são capítulos fundamentais", disse o presidente argentino.

Por isso, o tema fará parte da agenda de sua reunião amanhã com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, da mesma forma que constou em seu encontro com o presidente da França, François Hollande.

"Todos temos claro que a verdadeira integração inclui todos os setores, portanto teremos que ir trabalhando nos próximos meses para ver de que maneira resolvemos isso", concluiu Macri.

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