Autor de relatório pede análise mais cuidadosa sobre futuras guerras

Londres, 6 jul (EFE).- John Chilcot, autor do relatório sobre a Guerra do Iraque, pediu nesta quarta-feira que os futuros conflitos armados do nível dessa intervenção de 2003 sejam autorizados unicamente após uma análise "cuidadosa" e de um "julgamento político".

Chilcot divulgou hoje o aguardado relatório que leva seu nome, elaborado a partir da análise de milhares de documentos e interrogatórios de militares e políticos britânicos, entre eles o ex-primeiro-ministro Tony Blair, responsável da invasão do Reino Unido no Iraque ao lado dos Estados Unidos.

Espera-se que Blair, que ficou no poder entre 1997 e 2007, seja duramente criticado neste documento, enquanto as famílias dos militares falecidos na guerra confiam em que possa servir de base para processar o ex-primeiro-ministro, segundo os veículos de imprensa.

Em entrevista para a emissora britânica "BBC", Chilcot disse que em seu relatório há críticas contra indivíduos e instituições.

"A principal expectativa que tenho é que não será possível no futuro participar de um empenho militar e diplomático de semelhante nível e de tal gravidade sem aplicar uma verdadeira análise cuidadosa, uma avaliação e um julgamento político coletivo", afirmou.

O ex-funcionário do governo britânico acrescentou que seu relatório de 12 volumes explora as decisões tomadas e que levaram o Reino Unido a intervir militarmente no Iraque para derrubar o então presidente Saddam Hussein.

Chilcot observou que na elaboração do documento levou em conta o sofrimento das famílias daqueles que perderam suas vidas e seu desejo de conhecer toda a verdade sobre a guerra.

Sobre as críticas aos responsáveis da decisão de entrar na guerra, Chilcot disse que seu objetivo não era processar ninguém porque ele não preside um "tribunal".

"Eu deixei muito claro desde o princípio, quando iniciei esta investigação, que se encontrasse coisas que mereciam críticas a indivíduos ou instituições, não iria fugir disso", afirmou.

Blair foi interpelado em duas ocasiões por Chilcot e pediu desculpas sobre a controvertida informação de inteligência que argumentou para intervir no Iraque, como a existência de armas de destruição em massa, o que eventualmente provou ser falsa.

Esta investigação foi organizada em 2009 pelo ex-primeiro-ministro Gordon Brown, após intensa pressão de políticos e das famílias dos 179 militares britânicos que morreram no conflito.

O objetivo de Chilcot foi avaliar as decisões tomadas antes e durante a guerra, as medidas adotadas e determinar o que se pode aprender do episódio mais controverso do mandato de Blair.

Por ocasião da Guerra do Iraque, diversas manifestações ocorreram em Londres contra a decisão do ex-primeiro-ministro do Reino Unido. EFE

vg/phg

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