Corbyn se desculpa por invasão ao Iraque em nome do Partido Trabalhista

Londres, 6 jul (EFE).- O líder do Partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, se desculpou nesta quarta-feira em nome da formação "pela desastrosa decisão" de invadir o Iraque e pediu que competências internacionais processem os responsáveis.

Em discurso em Londres, Corbyn, que anteriormente havia condenado a guerra de 2003 na Câmara dos Comuns, disse que o conflito, impulsionado pelo então primeiro-ministro trabalhista, Tony Blair, é "uma mancha" na história do partido.

O líder trabalhista disse que o Reino Unido deveria se unir aos países que pedem para dar ao Tribunal Penal Internacional "competências para processar os responsáveis pelo crime de agressão militar", em alusão à necessidade de processar Blair.

Corbyn, que em 2003 votou contra a guerra e sempre foi um feroz crítico, afirmou que a decisão de atacar o país árabe junto com os Estados Unidos foi "catastrófica" e que seu partido "aprendeu as lições".

O dirigente se desculpou ao povo iraquiano pelas dezenas de milhares de mortes e garantiu que o Partido Trabalhista, sob sua liderança, busca agora uma política externa baseada em "cooperação, paz e justiça internacional".

Corbyn se pronunciou após se reunir com famílias de militares mortos na disputa, que começou em março de 2003 e na qual morreram 179 soldados britânicos e centenas de milhares de cidadãos iraquianos.

Em declaração anterior na Câmara dos Comuns, insistiu que se tratou de um conflito armado "ilegal" impulsionado sob um "falso pretexto", como também opinam muitos analistas legais internacionais.

O líder do principal partido da oposição do Reino Unido respondeu assim ao relatório sobre a Guerra do Iraque apresentado nesta quarta-feira pelo ex-dirigente John Chilcot, que conclui que a invasão ocorreu à base de provas "defeituosas" e "não era o último recurso" disponível nesse momento.

Veterano social-democrata e pacifista, Corbyn está sendo pressionado a renunciar por seu grupo parlamentar, muitos de cujos deputados, mais à direita que o líder, votaram em 2003 a favor de atacar o Iraque.

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