Documentário denuncia tráfico humano na Amazônia peruana

Lima, 6 jul (EFE).- O impacto do exploração sexual de mulheres (muitas delas menores de idade) na região de Madre de Dios, na Amazônia peruana, é o tema de um documentário apresentado nesta quarta-feira em Lima pela ONG Capital Humano e Social Alternativo (CHS).

Com duração de 20 minutos, "Se necesitan víctimas: tras la ruta del oro y la explotación de Cusco a Madre de Dios" inclui depoimentos de mulheres que foram levadas contra sua vontade para exercer a prostituição no sudeste do Peru, uma região afetada pela mineração ilegal, especialmente a de ouro.

A diretora do documentário, Amanda González, declarou à Agência Efe que a ideia é "revelar a rota do tráfico, mostrar como uma cidadã vai se tornando vítima e como ao longo do caminho perde direitos e acaba sendo violada".

O trabalho, financiado pela Agência de Cooperação para o Desenvolvimento dos Estados Unidos (USAID), faz parte da pesquisa "Rotas do tráfico humano na Amazônia peruana", realizada pela CHS e que documenta o impacto do comércio de seres humanos.

O jornalista Ernesto Rojas, que fez parte da equipe de filmagem em Cuzco e Madre de Dios, disse à Efe que "as meninas são captadas com ofertas de trabalho com remunerações maiores do que as que têm em Cuzco, onde um trabalho para uma pessoa sem formação é pago geralmente com entre 200 e 300 sóis (US$ 61 e US$ 90) por mês. Por outro lado, em Madre de Dios lhes são oferecidos trabalhos a partir de 800 sóis (US$ 245) com hospedagem".

O engano é de que quando elas aceitam a oferta, "não lhes explicam detalhes, só que vão ser caixas ou garçonetes, e assim que chegam ao local, dizem que vão se prostituir", denunciou.

As mulheres se transformam assim em "mercadoria sexual" dos chamados "prostibar", lugares sórdidos com decoração colorida e repletos de mulheres nuas, como descreve o documentário.

Rojas declarou que este tema "não ganha muita visibilidade em Cuzco, não é de conhecimento público que isto acontece". Ele lamentou que as menores que lá chegam "não sabem o que lhes espera, porque são retiradas de seus lares de origem, se veem desamparadas e inclusive chega um momento no qual se acostumam".

O documentário pode ser assistido gratuitamente no site da CHS: http://www.chsalternativo.org/.

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