Tribunal absolve dois jornalistas processados no caso "Vatileaks"

Cidade de Vaticano, 7 jul (EFE).- O Tribunal de primeira instância do Estado da Cidade do Vaticano absolveu nesta quinta-feira os jornalistas italianos processados pela publicação de documentos secretos da Santa Sé.

O tribunal disse que decidia pela absolvição de Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi em "virtude do direito divino de liberdade de pensamento e de liberdade de imprensa".

Além disso, ambos foram absolvidos porque, segundo o Colégio de Juízes, "o processo evidenciou que os fatos (a publicação dos documentos secretos) foram cometidos eventualmente fora do âmbito Vaticano".

Nuzzi, na saída do tribunal, se mostrou satisfeito e inclusive emocionado, declarando que se tratava de "um grande momento", e defendeu a liberdade de expressão tanto dentro como fora da Santa Sé.

"Hoje é um dia histórico, não só para os jornalistas mas para o Estado do Vaticano. É um momento importante, estou emocionado. É a base da democracia, da liberdade de imprensa. Demonstra com força das mudanças feitas pelo papa Francisco", disse Nuzzi.

Por sua vez, Fittipaldi destacou que "o Vaticano foi valente" porque, apesar de "o processo ter sido kafkiano", na sua opinião "a sentença é a demonstração de uma retificação inteligente".

"O jornalismo, se exercido respeitando as regras deontológicas, é reconhecido. Não esperava a plena absolvição", reconheceu o jornalista.

Os dois informadores foram acusados neste processo, que começou em 24 de novembro, de publicar em livros material confidencial procedente da extinta comissão investigadora dos organismos econômicos e administrativos da Santa Sé (COSEA).

Nesse organismo prestavam serviços os outros três acusados do caso, seu secretário, o sacerdote espanhol Lúcio Vallejo, a ex-relações públicas Francesca Chaouqui, e o secretário-executivo, Nicola Maio. Os dois primeiros foram condenados neste mesmo julgamento.

Concretamente, os jornalistas respondiam ao crime de cooperação na divulgação de documentação reservada da Santa Sé.

O processo a estes dois informadores granjeou ao Vaticano fortes críticas por parte dos meios de comunicação italianos, já que muitos deles denunciaram que estava sendo julgado a liberdade de imprensa e o direito à informação.

Isto foi rebatido por um dos promotores, Roberto Zanotti, que ressaltou que o que pretendia provar era o modo como os jornalistas tinham obtido a informação.

Deste modo, a Promotoria reivindicou a absolvição de Fittipaldi porque, na sua opinião, se limitou simplesmente a receber os documentos.

No entanto, pediu em vão um ano de prisão condicional para Nuzzi, que em 2012 revelou o caso "Vatileaks" sobre a revelação de correspondência privada de Bento XVI, já que com sua disponibilidade a publicar os dados, encorajou a Vallejo a filtrá-lo.

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