Mortes de agentes em protesto contra violência policial deixa EUA em alerta

Washington, 8 jul (EFE).- As autoridades americanas estão investigando a morte de cinco policiais em um ataque coordenado registrado ontem à noite durante um protesto contra a violência policial que acontecia pacificamente no centro de Dallas, no Texas.

Além dos cinco agentes mortos, sete policiais e dois civis ficaram feridos, naquele que já é considerado o pior massacre de policiais nos Estados Unidos desde os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. As autoridades prenderam três suspeitos e outro foi morto, mas a motivação e a identidade dos autores da ação não foram divulgadas.

O chefe da Polícia de Dallas, David Brown, afirmou que dois dos realizadores do ataque estavam em posições elevadas no momento dos tiros, como se fossem "franco-atiradores" e que fizeram os ataques "no modo emboscada". Alguns dos policiais feridos foram operados nos hospitais para onde foram levados, mas as autoridades não revelaram a gravidade do quadro.

O ataque aconteceu quando os manifestantes, da mesma forma que ocorria em outras grandes cidades do país, como Nova York, Los Angeles e Atlanta, protestavam por conta dos últimos incidentes de violência policial com traços racistas registrados nos Estados Unidos.

O protesto de Dallas, especificamente, se devia à morte de Alton Sterling, um vendedor de CDs negro morto por dois policiais brancos na terça-feira à queima-roupa quando já estava contido no chão em Baton Rouge (Louisiana), e do jovem Philando Castile, morto na quarta-feira em Falcon Heights (Minnesota) por um policial também branco que o parou em uma blitz.

Em Varsóvia (Polônia), onde está para participar da Cúpula da Otan, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou o "ataque atroz, calculado e desprezível" contra agentes da Polícia para o qual "não há justificativa possível" e prometeu que "a justiça será feita". Obama também disse que falou com o prefeito de Dallas, Mike Rawlings, para transmitir condolências e oferecer a ajuda do governo após esta "tremenda tragédia".

"Deixemos claro que não há justificativa possível para este tipo de ataques ou para qualquer violência contra os agentes de segurança. Qualquer envolvido nestes assassinatos acabará prestando contas", garantiu o presidente americano.

As autoridades mantêm fechada uma grande área do centro de Dallas, palco dos ataques, e o porta-voz da Polícia local, Dale Bernard, afirmou que esta medida será mantida "até que as investigações sejam concluídas". Segundo a imprensa local, nessa ampla zona da cidade, os agentes averiguavam a presença de dois pacotes suspeitos de conter explosivos e equipes especializadas de desativação foram enviadas ao local, mas a Polícia confirmou depois que não foram encontradas bombas.

O suspeito que foi morto perdeu a vida após protagonizar um enfrentamento com a Polícia durante mais de uma hora depois de se esconder em um estacionamento. Embora em um primeiro momento tenha sido informado que ele morreu atingido pela Polícia, isso foi posteriormente posto em dúvida.

O suspeito, que disparava contra os agentes que tentavam convencê-lo a se render, também afirmou que tinha colocado bombas no estacionamento e por todo o centro da cidade, o que provocou a posterior busca de pacotes suspeitos. Um dos agentes foi ferido durante a troca com o indivíduo entrincheirado, conforme confirmou a Polícia.

Além do suspeito morto, a Polícia mantém três pessoas em custódia, incluindo uma mulher que foi detida no mesmo estacionamento e outros dois indivíduos que tinham fugido do lugar dos ataques e circulavam pela estrada. A detenção destes dois indivíduos, segundo a Polícia, aconteceu após uma perseguição policial depois que um agente viu um deles caminhando muito rapidamente carregado com uma bolsa camuflada grande, colocá-la na parte de atrás do veículo e arrancar velozmente.

Segundo testemunhas dos ataques, que aconteceram quando a manifestação em Dallas já estava no fim, os disparos contra os policiais, que em um primeiro momento foram confundidos com fogos de artifício, pareciam efetuados por franco-atiradores, sem que os agentes soubessem de onde os tiros vinham. Uma testemunha do massacre disse a um canal local que conseguiu gravar da varanda de um hotel a 50 metros um dos autores da ação e afirmou que o suspeito usava uma calça e uma camisa de estampa militar e estava fortemente armado.

O chefe da Polícia de Dallas disse que ainda não está claro quantas pessoas participaram do ataque, que parecia coordenado, e confirmou a existência de três detidos.

As mortes de Alton Sterling, que vendia CDs na frente de uma loja de conveniência em Baton Rouge, e de Philando Castile, que trabalhava na cafeteria de uma escola, foram gravadas em vídeo, esta última por sua própria namorada, e provocaram a ira da comunidade afro-americana, gerando novos protestos raciais.

Há pouco mais de um ano e meio, os Estados Unidos viveram repetidos episódios de tensão racial, especialmente após a morte em agosto de 2014 do jovem negro Michael Brown feita por um agente branco que depois foi absolvido de todas as acusações.

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