"Violência não pode ser a resposta", afirma procuradora-geral dos EUA

Washington, 8 jul (EFE).- A procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, pediu calma aos americanos nesta sexta-feira após a morte nesta semana de dois cidadãos negros em ações de policiais brancos e do ataque mortal contra agentes ocorrido ontem à noite em Dallas.

"A resposta nunca deve ser a violência, a resposta deve ser a ação. Acalmada, pacífica, cooperativa e determinada ação", afirmou Lynch, a primeira mulher negra à frente do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em uma breve declaração após a qual não respondeu perguntas.

O governo dos EUA fez este apelo após a divulgação da informação que o principal suspeito do massacre em Dallas, Micah Xavier Johnson, um homem negro de 25 anos, disse que "queria matar pessoas brancas, especialmente policiais brancos", enquanto se mantinha entrincheirado em um estacionamento cercado pela polícia.

"Devemos nos lembrar que todos somos americanos, não só compartilhamos uma terra comum, mas uma vida em comum", disse Lynch.

"A todos os americanos peço que não permitam que os eventos desta semana se transformem em uma nova realidade em nosso país", acrescentou.

Em sua mensagem, a procuradora-geral qualificou de "incomensurável tragédia" o ataque ocorrido ontem à noite durante um protesto contra a violência policial que se desenvolvia pacificamente no centro de Dallas e que deixou cinco agentes mortos e nove feridos, dos quais sete são policiais.

O ataque aconteceu quando os manifestantes, da mesma forma que ocorria em outras grandes cidades do país, protestavam pelos últimos incidentes de violência policial com tinturas raciais.

Concretamente, o protesto se devia à morte de Alton Sterling, um homem negro contra quem dois policiais brancos dispararam na terça-feira à queima-roupa quando o tinham rendido no chão em Baton Rouge (Louisiana), e do jovem Philando Castile, morto na quarta-feira em Falcon Heights (Minnesota) ao ser atingido por um policial que lhe deteve em seu veículo por uma infração de trânsito.

"Para aqueles que buscam melhorar nosso país através do protesto pacífico, quero que saibam que sua voz é importante. Não desanimem pelos que utilizam suas ações legais como uma álibi para sua violência atroz", declarou Lynch às pessoas que participaram das manifestações, às quais prometeu proteger.

A morte de outros cidadãos negros por disparos de policiais brancos provocou o nascimento de um novo movimento civil em nível nacional, chamado "Black Lives Matter" ("Vidas de negros importam") e que reivindica o fim da violência policial contra a comunidade afro-americana.

Os EUA viveram repetidos episódios de tensão racial há mais de um ano, especialmente após a morte em Ferguson (Missouri) em agosto de 2014 do jovem negro Michael Brown pelo disparo de um policial branco que depois foi exonerado de todas as acusações.

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