Irã adverte que EUA "pagarão caro" se romperem acordo nuclear

Teerã, 9 jul (EFE).- Os Estados Unidos "pagarão caro" e terão que responder por consequências "que prejudicarão a todos" se romperem o histórico acordo que alcançou com o Irã sobre seu programa nuclear, advertiram neste sábado autoridades da República Islâmica.

"Se o Plano Integral de Ação Conjunta (JCPOA, na sigla em inglês) for descartado (pelos EUA), isso prejudicará todo o mundo. Nós aprovamos o acordo e não iniciaremos ações para violá-lo. Também esperamos que eles atuem sabiamente e não o violem", disse o diretor da Organização Iraniana da Energia Atômica, Ali Akbar Salehi, em declarações à televisão pública iraniana.

O alto funcionário se expressou assim depois que na quinta-feira passada a Câmara dos Representantes dos EUA, dominada pela oposição republicana, aprovou uma norma para proibir a venda de aviões da companhia Boeing ao Irã a fim de anular um multimilionário acordo anunciado no mês passado para a aquisição de até 80 aeronaves dessa companhia.

Apesar de o presidente americano, Barack Obama, já ter anunciado que vetaria qualquer norma orientada a destruir o acordo nuclear, no Irã não cessaram as críticas nem as ameaças de duras consequências perante qualquer possível violação do mesmo.

Salehi, que foi um dos principais negociadores do histórico acordo nuclear assinado há quase um ano entre o Irã e as potências do Grupo 5+1 (EUA, França, Rússia, Reino Unido, China e Alemanha), disse que sua crença é que "o outro lado tentará manter o JCPOA", entre outras coisas porque sabe "que uma violação do mesmo prejudicará mais a eles que a nós".

"O primeiro prejuízo para os EUA seria que sua credibilidade política, na qual investiram muito, se verá manchada e terão que pagar caro se o mundo se der conta que respeitaram tão pouco seus compromissos", indicou.

Nesse sentido, Salehi ressaltou que um início bem-sucedido do JCPOA "será do interesse do Irã, do Ocidente, do Oriente Médio e da comunidade internacional em seu conjunto", enquanto seu fracasso "irá em detrimento de todos".

O acordo, assinado em Viena após longos meses de duras negociações em 14 de julho de 2015, eliminava todas as sanções econômicas e comerciais contra o Irã impostas pela União Europeia, pelas Nações Unidas pelos EUA por conta de seu programa nuclear em troca de severas restrições e um controle internacional mais exaustivo do mesmo.

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