Otan encerra cúpula reforçando-se contra terrorismo e crise migratória

Rosa Jiménez.

Varsóvia, 9 jul (EFE).- Os líderes da Otan encerram neste sábado sua cúpula em Varsóvia com medidas dirigidas a combater o terrorismo e as ondas migratórias irregulares que desestabilizam seu flanco sul, após aprovar no primeiro dia um reforço na região leste frente a uma Rússia mais agressiva.

A cúpula, realizada precisamente na cidade onde se assinou o pacto que leva seu nome e que rubricou a assistência mútua entre as repúblicas soviéticas na Guerra Fria, se caracterizou pela concretização de medidas para adaptar a defesa da Aliança perante novos desafios tanto no leste como no sul.

"É importante não exagerar os riscos e ameaças que enfrentamos. Mas vemos que há menos previsibilidade, mais incerteza e uma Rússia mais autoritária que aumentou substancialmente suas capacidades militares", declarou o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg.

Os líderes decidiram hoje que a Otan, que não participa como organização na coalizão internacional que combate o grupo terrorista do Estado Islâmico (EI) na Síria e Iraque, ponha a sua disposição aviões de vigilância Awacs para que compartilhem informação.

Também concordaram em estender ao Iraque a formação que atualmente proporcionam a oficiais iraquianos na Jordânia, em impulsionar um novo "centro de difusão" de inteligência na Tunísia e apoiar às forças especiais operacionais tunisianas, além de continuar reforçando a cooperação com a Jordânia e com a preparação de apoio às estruturas de segurança na Líbia.

"A Otan é uma aliança militar para a defesa coletiva e uma aliança expedicionária para gestão de crise. Agora necessitamos converter-nos cada vez mais em uma aliança de treinamento, para criar capacidades locais", ressaltou Stoltenberg.

Nesta cúpula os aliados também confirmaram a reconversão da missão naval antiterrorista "Ative Endeavour" em uma operação de segurança marítima mais ampla, batizada de "Guardiã do Mar".

Inspirados pela "eficaz" colaboração com a União Europeia para combater a imigração irregular no mar Egeu, os aliados determinaram que essa missão auxilie à operação "Sofia" da UE contra as máfias migratórias no Mediterrâneo central.

Este esforço para "projetar estabilidade" na fronteira sul da Aliança completa a decisão da primeira jornada da cúpula de aumentar a presença militar internacional no leste da Europa com o envio de quatro batalhões à Polônia, Estônia, Letônia e Lituânia, e de uma brigada à Romênia.

O presidente americano, Barack Obama, que garantiu à Europa que poderá contar com os Estados Unidos "nos bons e nos maus tempos", confirmou que esses batalhões contarão com 4.000 soldados.

"A postura da Aliança é estritamente defensiva, não procura inimigos nem mantém uma postura agressiva. Mas toma medidas necessárias para a defesa dos aliados", declarou o presidente francês, François Hollande, que especificou que a Otan transmitirá essa mensagem à Rússia na reunião de embaixadores das duas partes prevista para a próximo quarta-feira em Bruxelas.

"A Rússia não deve ser isolada", advertiu Stoltenberg.

Outra conquista da reunião de Varsóvia foi a assinatura de uma declaração com a União Europeia para coordenar mais suas atividades e melhorar sua cooperação perante ameaças híbridas e em ciberdefesa, segurança marítima e reforço de capacidades de terceiros países.

Além disso, esta foi a cúpula na qual os líderes aliados tiveram a primeira oportunidade de abordar juntos as consequências da decisão do Reino Unido de sair da UE, algo que Stoltenberg confiou que não afetará a "liderança" desse país na Aliança.

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, insistiu hoje que a decisão dos britânicos de sair da UE "não significa que o Reino Unido vá dar as costas à Europa em matéria de segurança".

Por fim, os líderes também concordaram em reunir-se de novo em 2017 em Bruxelas por ocasião da inauguração da nova sede da Aliança e para receber o novo inquilino que já haverá na Casa Branca.

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