Candidatos à Secretaria-Geral da ONU debatem sobre desafios da organização

Nações Unidas, 13 jul (EFE).- Dez dos 12 candidatos ao cargo de secretário-geral da ONU defenderam as qualidades que possuem para assumir o posto e reconheceram os desafios da organização no futuro, incluindo a perda de parte de seu prestígio.

A ONU busca um substituto para o diplomata coreano Ban Ki-moon, que deixará o posto em janeiro de 2017. Como avaliou a ex-vice-primeira-ministra da Croácia, Vesna Pusic, é preciso de uma pessoa para "um posto difícil e complicado em uma época difícil e complicada".

Um após o outro, em dois rodízios de cinco candidatos cada, os postulantes ao cargo apresentaram seus pontos de vista sobre o que a ONU precisa atualmente, os principais desafios que a organização enfrentará e soluções para algumas de suas crises.

O processo de seleção está aberto, sem um prazo determinado para a apresentação de candidaturas. O Conselho de Segurança deve recomendar um ou mais nomes para a disputa, mas a decisão final ficará nas mãos da Assembleia-Geral.

A ONU vem respeitando uma rotação geográfica para ocupar o posto. Em teoria, o candidato escolhido deveria representar o Leste Europeu, apesar de haver candidatos de outras regiões. Também cresce a ideia de que uma mulher seja a próxima secretária-geral.

"O secretário-geral precisa de coragem para dirigir, humildade para ouvir e disposição para se associar", disse uma das candidatas, a ministra das Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, que antes de fazer parte do governo do presidente Mauricio Macri foi chefe do gabinete de Ban Ki-moon.

Já a ex-secretária-executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, a costa-riquenha, Christiana Figueres, a última a se candidatar ao cargo, defendeu sua atuação à frente das negociações para definir um acordo global sobre o tema, firmado na Conferência de Paris em dezembro do ano passado.

Essas negociações, disse ela, "acarretavam um colapso de seis anos e estavam em ponto morto". Figueres, que deixou o cargo há poucos dias, avaliou que está satisfeita de ter cumprido essa missão, fechando o "acordo mais ambicioso e legalmente vinculativo".

A reforma do Conselho de Segurança, um tema ainda em aberto na ONU, e o fracasso em algumas crises que o órgão deve que enfrentar nos últimos anos também foram alguns dos temas debatidos.

Não houve oportunidade para um diálogo entre os candidatos, que apenas responderam perguntas de diplomatas, do público presente na Assembleia-Geral e de dois jornalistas da emissora catariana "Al Jazeera", que moderavam o evento.

O português Antonio Gutérres, até poucos meses titular do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, destacou que o mundo atravessa uma "multiplicação de conflitos", além dos desafios da mudança climática e da falta de recursos.

"Para isso, precisamos agora de duas coisas: liderança e valores. O secretário-geral da ONU deve ser uma sólida referência ética", reiterou o também ex-primeiro-ministro de Portugal.

Conflitos como o ainda em andamento na Síria e o fracasso da ONU para conseguir resolvê-lo foram citados como fatores que fizeram o órgão "perder mais prestígio" pelo ex-presidente da Eslovênia, Danilo Turk.

Já Pusic chegou lamentou o "cinismo" que afeta as relações internacionais e disse que o secretário-geral da ONU não precisa de "popularidade", mas sim convicção, visão, perseverança e coragem.

Outro dos temas abordados foram as denúncias de abusos sexuais que ocorreram nos últimos anos em missões de paz da ONU na África, que prejudicaram seriamente a imagem do órgão.

Nesse sentido, Figueres destacou que os "boinas azuis" culpados desses abusos devem responder à Justiça se uma "sólida investigação" confirmar a autoria do crime.

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