Entorno exige integração pragmática da América Latina, diz titular da Segib

Giovanna Ferullo M.

Cidade do Panamá, 13 jul (EFE).- O entorno mundial de desaceleração econômica deixa a América Latina quase com a obrigação de concretizar, finalmente, uma verdadeira integração marcada pelo pragmatismo e cuja construção esteja guiada pelas necessidades do povo, afirmou nesta quarta-feira a secretária-geral ibero-americana, Rebeca Grynspan.

Em entrevista à Efe na capital do Panamá, a costarriquenha, de 60 anos e titular da Secretaria Geral Ibero-Americana (Segib), lembrou que "a América Latina segue sem ser uma região integrada" apesar da luta inflamada de várias gerações, inclusive a dela, para realizar esse objetivo.

Mas "a realidade nos está pedindo" agora, quando a economia mundial entrou em uma letargia na qual não se avista um crescimento acelerado de potências como China e menos ainda na Europa, nem o retorno dos altíssimos preços das matérias-primas, o grande motor econômico da região.

Nesse cenário, segundo a diplomata, "hoje mais do que nunca a integração é necessária, porque quando alguém pensa em quais vão ser os motores do crescimento no futuro (...) a integração é um deles".

O potencial da América Latina, um mercado de 600 milhões de habitantes, para a integração é "enorme", assegurou Grynspan, que citou como exemplo disso que só 20% das exportações latino-americanas ficam na região.

Um aumento do comércio intrarregional abre ainda uma real possibilidade de transformação da base produtiva da região, para afastá-la da dependência das matérias-primas e encaminhá-la rumo à criação de cadeias de valor que lhe permitam comercializar com mais bens intermediários, como faz a Ásia.

De acordo com Grynspan, economista e ex-vice-presidente da Costa Rica, os esforços integracionistas devem estar guiados agora pelo pragmatismo e devem ser construídos tomando como ponto de partida as necessidades das pessoas na região.

"Eu confio que há bom julgamento para caminhar nessa direção", afirmou a ex-secretária geral adjunta das Nações Unidas, lembrando do exemplo da Aliança do Pacífico, fundada por Chile, Colômbia, Peru e México, e à qual esperam integrar-se Costa Rica e Panamá.

Com 220 milhões de consumidores, 44% do investimento estrangeiro direto da América Latina, metade do comércio exterior e 38% do Produto Interno Bruto (PIB) regional, o bloco se revelou como uma das experiências de integração mais bem-sucedidas do mundo.

"É uma aliança pragmática que está tentando fazer o que se pode fazer juntos e demonstrou que é muito mais do que se esperava", disse Grynspan.

Da mesma forma, a diplomata acrescentou que o bloco "demonstrou que, com certo pragmatismo, sem tentar construir desde o princípio esquemas muito complicados, podemos fazer muito mais juntos, e eu acredito que talvez com essa atitude pragmática é que temos que enfrentar a integração".

"E por isso nós (na Segib) estamos apostando na integração através das pessoas, das empresas, dos agentes sociais e econômicos. Que a integração esteja construída pelas necessidades do povo na região", reforçou.

Por isso, a Segib, que segue os mandatos dos presidentes emanados das cúpulas ibero-americanas, promove projetos e alianças que buscam favorecer que os cidadãos possam movimentar-se na região, que os estudantes possam deslocar-se a outras universidades, e que os trabalhadores das empresas possam ter muita mais interação sem enfrentar impedimentos burocráticos.

"Esses são nossos desafios: como seguir apoiando a mobilidade de bens culturais, de pessoas, de estudantes, de empresas dentro da região que são realmente os agentes de integração na comunidade ibero-americana", concluiu Grynspan.

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