Nomeação de rabino militar que justificou estupro causa polêmica em Israel

Jerusalém, 13 jun (EFE).- A nomeação do coronel Eyal Karim como novo rabino do Exército de Israel provocou polêmica no país após a divulgação de declarações discriminatórias em que ele justifica, entre outras coisas, o estupro de mulheres de inimigos.

O Exército pediu explicações ao coronel, nomeado na última segunda-feira para substituir Rafi Peretz, depois de a imprensa local ter repercutido as declarações, muito criticadas pela oposição.

Em uma coluna no site religioso judeu "Kipa", Karim disse que os soldados podem rejeitar ordens se elas "contradizem a lei judaica". Além disso, afirmou que os "terroristas não devem ser tratados como seres humanos, porque são animais".

Karim também classificou os homossexuais como "doentes e deformados", pessoas que, afirma, "deveriam ser ajudadas para escapar desta situação com muita sensibilidade e paciência".

Mas a afirmação mais polêmica ocorreu em 2002, quando o coronel justificou o estupro de mulheres não judias em tempos de guerra.

Em resposta a uma pergunta se a lei judaica permitia o abuso de uma mulher em tempos de guerra, Karim afirmou que "embora 'confraternizar' com uma mulher gentil seja muito grave, isso é admissível em tempos de guerra". Segundo ele o Torá permite o ato como "objetivo de satisfazer as inclinações malignas".

Diante da gravidade das afirmações, Karim foi convocado pelo Departamento de Recursos Humanos do Exército e, posteriormente, pediu desculpas e esclareceu o comentário, dizendo que o Torá "não permite abusar de uma mulher".

Em 2011, o coronel disse que era melhor que homens, e não mulheres, cantassem em atos militares. Caso isso fosse feito por mulheres, Karim sugeriu que os soldados religiosos abandonassem os recintos, já que interpretações ortodoxas da lei judaica proíbem que homens escutem a voz de uma mulher cantando.

Em outro caso, o novo rabino militar do Exército afirmou que o Torá proíbe que as mulheres testemunhem em julgamentos e ressaltou que esse fato era certamente discriminatório. No entanto, Karim afirmou que se tratava de uma "discriminação a favor das mulheres", que não suportariam a um interrogatório judicia devido a sua "natureza sentimental".

Questionado sobre as declarações de Karim, o Exército de Israel não quis comentar os comentários do rabino, nem deu indícios de que está reconsiderando sua nomeação para o posto.

O deputado Nahman Shai, membro do Partido Trabalhista, disse que um pedido de desculpas pelos comentários não é suficiente e que a nomeação deveria ser imediatamente suspensa.

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