Trump pede renúncia de juíza do Supremo dos EUA que o chamou de "farsante"

Washington, 13 jul (EFE).- O virtual candidato do Partido Republicano às eleições presidenciais nos EUA, Donald Trump, pediu nesta quarta-feira a renúncia da juíza do Supremo Tribunal Ruth Bader Ginsburg, porta-bandeira da ala progressista, que lhe chamou de "farsante".

Em sua conta no Twitter, Trump afirmou que a magistrada "envergonhou todos ao fazer avaliações políticas muito distorcidas" sobre sua pessoa, garantiu que a cabeça de Ginsburg "não funciona bem" e pediu que renuncie ao posto.

Ginsburg, de 82 anos, não só reafirmou na terça-feira em uma entrevista à "CNN" os comentários feitos no fim de semana ao jornal "The New York Times", mas foi além, rotulou Trump de "farsante" e criticou que a imprensa seja "suave" com ele ao não insistir que publique suas declarações da renda.

"É um farsante. Não tem consistência. Diz o primeiro que lhe vem à cabeça em cada momento. Tem muito ego. Como continua na disputa sem ter publicado suas declarações da renda? A imprensa parece ter sido muito suave nisso", indicou Ginsburg à rede de televisão.

Ginsburg gerou polêmica no fim de semana quando em entrevista publicada no "The New York Times" disse que não pode imaginar o que será dos EUA caso Trump ganhe as eleições presidenciais, um gesto que foi criticado pelos meios de comunicação e juristas tanto conservadores como progressistas ao considerar que não é próprio de uma magistrada do Supremo.

Horas antes de pedir sua renúncia no Twitter, Trump tinha apontado, em declarações ao "The New York Times", que era muito "pouco apropriado uma juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos se envolver em uma campanha política", que isso representa uma "desonra para a Corte" e que Ginsburg deveria pedir perdão a seus colegas.

"Não podia acreditar quando vi", lamentou o virtual candidato republicano.

Ginsburg pode ter de julgar políticas e medidas de Trump caso este chegue a ser presidente, algo que após seus comentários apresentaria sérias dúvidas sobre sua imparcialidade, mas inclusive pode ter de decidir se este será ou não presidente caso ocorra alguma anomalia nas eleições.

Também outros destacados republicanos como o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, criticaram as palavras de Ginsburg, ao considerá-las "inapropriadas".

Ginsburg foi indicada para o Supremo pelo ex-presidente dos EUA Bill Clinton (marido da atual presumível candidata democrata, Hillary Clinton) em 1993, e durante os últimos anos se tornou uma das maiores defensoras das causas consideradas progressistas no alto tribunal.

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