Ex-chefe de inteligência afegã vaza documentos que comprometeriam Paquistão

Cabul, 14 jul (EFE).- O ex-chefe da inteligência afegã Rahmatullah Nabil revelou nesta quinta-feira documentos que assegura que mostram o apoio logístico e financeiro do Paquistão a grupos insurgentes que realizam ataques no Afeganistão.

A revelação acontece sete meses depois de Nabil ter renunciado após cinco anos à frente do Diretório Nacional de Segurança do Afeganistão (NDS, na sigla em inglês), alegando "pressões" às quais foi submetido desde a chegada de Ashraf Ghani ao poder em 2014.

Os seis documentos acompanham um artigo intitulado "Por que o nome do Paquistão deve ser acrescentado à lista de Estados que apoiam o terrorismo", no qual afirma que milhares de escolas corânicas deste país fomentam o extremismo e fornecem membros para 51 grupos terroristas ativos em solo paquistanês.

No texto divulgado em sua página no Facebook, o ex-responsável do NDS denuncia os laços da principal agência de inteligência paquistanesa, o ISI, em sua sigla em inglês, com organizações insurgentes que operam no Afeganistão como a rede Haqqani.

O NDS conta com centenas de documentos que demonstram o apoio a estes grupos, segundo Nabil, que acompanha o relatório com seis deles supostamente tirados desta agência e que segundo sua opinião "mostram que o governo paquistanês é o maior defensor do terrorismo global".

Nabil se caracterizou quando esteve no cargo por causa de suas críticas às autoridades paquistanesas, e sua renúncia aconteceu em dezembro do ano passado em um momento em que Afeganistão e Paquistão se comprometiam a trabalhar para retomar um processo de paz com os talibãs.

O Paquistão faz parte junto com Afeganistão, Estados Unidos e China do denominado Grupo a Quatro, criado que tenta levar os insurgentes a uma mesa de diálogo para acabar com quase 15 anos de conflito afegão, desde que a invasão americana de 2001 acabou com o regime talibã.

As autoridades afegãs acusaram várias vezes as paquistanesas de permitir em seu território atividades de grupos insurgentes que, como os talibãs e a rede Haqqani, cometem ataques no Afeganistão. EFE

bks/ma

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