Atentado de Nice "corresponde" a ordens de grupos jihadistas, diz procurador

Paris, 15 jul (EFE).- O atentado terrorista de Nice, que deixou pelo menos 84 mortos e dezenas de pessoas gravemente feridas, "corresponde" a ordens de grupos jihadistas, embora ainda não tenha sido reivindicado, informou o procurador antiterrorista da França, François Molins.

"Embora o atentado de ontem ainda não tenha sido reivindicado, este tipo de ação corresponde exatamente às permanentes ordens de matar dessas organizações terroristas nos vídeos e revistas que divulgam regularmente", disse em uma declaração à imprensa.

Molins disse que entre os 84 mortos há dez crianças e adolescentes, além de 200 feridos - 52 em estado grave e 26 em "reanimação" -, embora o balanço ainda possa mudar.

O autor do massacre é Mohammed Boulhel, tunisiano de 31 anos, pai de família, morador de Nice que trabalhava como motorista e que tinha histórico de delitos comuns, mas nenhum indício de radicalização.

"O terrorista que conduzia o caminhão foi abatido para impedir que seguisse sua ação criminosa" e seu ex-esposa se encontra detida desde a manhã desta sexta-feira, acrescentou o procurador.

Boulhel perpetrou o massacre às 22h45 locais (17h45 em Brasília) de quinta-feira sozinho, no comando de um caminhão frigorífico de 19 toneladas que havia sido alugado na segunda-feira na cidade de Saint-Laurent-du-Var.

Após dirigir por cerca de dois quilômetros, atropelou "muitos espectadores reunidos para ver os populares fogos de artifício do 14 de julho", relatou a fonte.

Ao longo do ato, o "terrorista atirou várias vezes contra três policiais perto do hotel Negresco. Os policiais revidaram e perseguiram o caminhão, que ainda conseguiu percorrer uns 300 metros".

"Os policiais conseguiram neutralizar o motorista com disparos à altura do Palácio do Mediterrâneo. O terrorista foi encontrado morto no assento do passageiro", explicou.

Na cabine do caminhão as autoridades encontraram uma pistola automática de calibre 7,65 milímetros, um carregador, cartuchos gastos e não gastos, uma segunda pistola automática falsa, duas réplicas de fuzis de assalto kalashnikov e M16 também falsos, e uma granada desativada.

Também foram achados um telefone e documentos que estão sendo investigados, assim como uma carteira de motorista e um cartão de crédito em nome de Mohammed Lahouaiej Boulhel, nascido no dia 3 de janeiro de 1985 na Tunísia.

"Ao analisar as impressões digitais foi possível estabelecer a identidade do terrorista", comentou o procurador.

Boulhel tinha antecedentes por atos de violência, ameaças, roubo e outros delitos cometidos entre 2010 e 2016, e uma condenação em março passado a seis meses de prisão (sem cumprimento) por uma agressão durante uma briga de trânsito.

"No entanto, era completamente desconhecido para os serviços de inteligência local e nunca havia sido fichado nem tinha dado o menor sinal de radicalização", detalhou.

Segundo Molins, os investigadores também confiscaram documentação e material informático durante inspeção feita na residência do terrorista e agora buscam determinar como a arma e o caminhão foram conseguidos, se há cúmplices e vínculos com "organizações criminosas terroristas islamitas".

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