Embaixadas começam a retirar cidadãos estrangeiros do Sudão do Sul

Atem Mabior.

Juba, 15 jul (EFE).- As embaixadas de vários países em Juba, capital do Sudão do Sul, começaram a retirar seus representantes diplomáticos, funcionários e cidadãos por temer uma nova explosão dos conflitos no território do país africano.

Os últimos enfrentamentos entre as tropas leais ao presidente sul-sudanês, Salva Kiir, e simpatizantes do vice-presidente e líder da oposição, Riek Machar, provocaram pelo menos 300 mortes, além do deslocamento forçado de mais de 30 mil pessoas.

O porta-voz de Kiir, Ateny Wek, disse à Agência Efe que o governo considerou como "estranha" a posição de alguns países que aconselharam que seus cidadãos não permaneçam no Sudão do Sul.

"Nos parece muito estranho o comportamento de alguns países. A situação atualmente está sob controle, por isso não há necessidade de retirar os estrangeiros do país", disse o porta-voz.

Juba está em calma desde que Kiir e Machar anunciaram, na última segunda-feira, um cessar-fogo após quatro dias de confrontos.

Um funcionário da embaixada do Sudão em Juba disse à Efe que conseguiram registrar cerca de 2 mil cidadãos do país que moram na capital sul-sudanesa e que desejam voltar a Cartum hoje. Muitos deles são comerciantes, que foram saqueados durante os confrontos.

Além disso, a fonte consultada pela Efe afirmou que os responsáveis da embaixada do Sudão conversarão com as autoridades do Sudão do Sul assim que terminarem de realizar um cálculo das perdas provocadas pelo conflito para estudar uma maneira de indenizar os comerciantes saqueados.

Um pelotão do Exército de Uganda, que estava em Campala, entrou no Sudão do Sul para retirar mais de 3 mil ugandeses, a maioria reunidos na passagem fronteiriça de Nimuli e na região de Qemba, ao leste de Juba, à espera de serem transportados para seu país.

O comandante da operação, Leopold Kayanda, disse em entrevista que a retirada desses civis demoraria dois ou três dias devido a problemas na estrada que liga os dois países.

Alemanha, China, Índia e Egito também retiraram seus cidadãos de Juba. Companhias chinesas fizeram o mesmo com seus trabalhadores da indústria do petróleo, que foram transferidos para Entebe, em Uganda, esperando que a situação se estabilize em Juba.

A representação diplomática dos Estados Unidos no país está enviado mensagens aos cidadãos que estão na capital para se dirigem ao aeroporto local para serem retirados em aviões do Exército.

Segundo o site da embaixada americana, a repatriação dos cidadãos do país só será realizada no início da próxima semana. O objetivo é diminuir os membros do corpo diplomático no país.

A embaixadora dos EUA em Juba, Muly Fay, em comunicado divulgado hoje no site do órgão, pediu que todos os cidadãos sul-sudaneses que possuam nacionalidade americana que vão até o local para concluir os trâmites de suas viagens.

Além disso, destacou que o governo americano reforçou a proteção das sedes diplomáticas no Sudão do Sul com 120 soldados.

Ontem, a ONU anunciou que também vai retirar temporariamente os funcionários "não imprescindíveis" do país, após a nova explosão de violência e as informações de ataques contra empregados e instalações da organização.

A decisão afeta a missão de paz Unmiss, assim como trabalhadores de agências e programas da ONU que estão em Juba, explicou o porta-voz da entidade, Stéphane Dujarric.

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