Primeiro-ministro alerta que "haverá mais vítimas inocentes" na França

Paris, 15 jul (EFE).- O primeiro-ministro da França, Manuel Valls, alertou nesta sexta-feira que na "guerra" travada pelo país contra o terrorismo "haverá sem dúvida mais vítimas inocentes", mas se mostrou convencido que finalmente os radicais serão derrotados.

Em uma entrevista à televisão pública, Valls afirmou que o autor do atentado de ontem à noite em Nice é "um terrorista sem dúvida, vinculado com o islamismo radical de uma forma ou outra", e agora é preciso determinar "quais foram seus cúmplices ou seus vínculos com o terrorismo".

O primeiro-ministro quis acabar dessa maneira com as dúvidas que começaram a surgir na França por não ter sido descoberto por enquanto nenhum indício que prove que o autor do atentado, Mohammed Boulhel, agisse sob as ordens ou inspirado pelo grupo Estado Islâmico (EI).

"O EI está recuando na Síria e no Iraque. Fazemos tudo para lutar contra o terrorismo, é uma guerra longa no interior e no exterior do país", declarou, antes de insistir na mensagem do presidente, François Hollande, que França vai reforçar os recursos da coalizão internacional.

Valls também lembrou que na semana que vem haverá "uma reunião muito importante" a esse respeito em Washington, na qual participará o ministro de Defesa francês, Jean-Yves Le Drian.

Sobre as críticas que a oposição fez ao governo por não ter garantido a segurança dos espectadores que presenciavam os fogos de artifício quando foram atropelados, Valls negou que o esquema fosse insuficiente e disse que foi o mesmo que esteve vigente na Eurocopa ou no carnaval dessa cidade.

"Os que não estão à altura do dor da França e de seu povo não estão à altura deste grande país", destacou, antes de apelar à união nacional, que "se impõe mais que nunca".

Apesar disso, Valls admitiu que essas perguntas são legítimas, embora tenha especificado que nos três últimos anos foram frustrados 15 projetos de atentados jihadistas.

Por último, o primeiro-ministro justificou a prorrogação por três meses do estado de emergência, que devia expirar no próximo dia 26 de julho, pela "necessidade de continuar mobilizando as forças de segurança frente a esta ameaça".

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