Convenção Republicana pode mudar cenário político nos EUA antes das eleições

Jairo Mejía

Washington, 16 jul (EFE).- As normas que regem a Convenção Republicana podem ter um papel vital na hora de permitir que aqueles que se opõem à candidatura de Donald Trump mostrem seu descontentamento, após parecer cada mais vez difícil conter a imparável indicação do magnata.

Os debates do Comitê de Normas da Convenção Republicana, que será realizada a partir de segunda-feira em Cleveland (Ohio), atraíram uma atenção especial neste ano pela tentativa de uma minoria de colocar sobre o papel uma medida para que os 2.472 delegados votem com a consciência e não a partir do resultado das primárias estaduais.

Desde o século XIX, os dois partidos majoritários americanos -Republicano e Democrata- se reúnem em convenções nas quais os delegados escolhidos no processo de primárias e convenções estaduais votam por quem desejam que seja seu candidato à presidência.

E esse ponto, o que cede todo o poder aos delegados de cada estado para escolher candidato presidencial, neste ano ainda pode servir para que uma facção importante do Partido Republicano mostre seu descontentamento com a surpreendente ascensão de Trump desde seu circo midiático e empresarial à liderança do partido, que controla o Congresso e a maioria dos estados do país.

Kendal Unruh, delegada do Colorado, iniciou uma pequena rebelião que deu de cara com, paradoxalmente, os que regem os estatutos do partido, que prezam por uma coroação pacífica depois que Trump assegurou mais da metade dos delegados no processo de primárias, pondo ponto final a meses de incerteza sobre se os republicanos teriam uma Convenção totalmente aberta.

Uma vez evitada uma convenção disputada, na qual o senador Ted Cruz foi a única alternativa viável, e depois que na quinta-feira tenha sido negada a tentativa de Unruh de impor uma emenda para que os delegados votassem pela consciência sem arriscar serem expulsos, restam poucas vias para uma eventual saída de Trump.

Apesar de não conseguir modificar as normas da convenção, Unruh insistiu nestes dias que os delegados têm direito a votar como consideram, embora isso contradiga a vontade dos eleitores das primárias, vontade protegida pela Primeira Emenda da Constituição.

Outra opção é que os delegados "anti-Trump" se ausentem da primeira votação na quarta-feira.

Se um número suficiente for em massa aos banheiros e barracas de cachorros quentes da rua na hora da primeira chamada ao voto, poderiam negar a Trump o número mágico dos 1.237 votos, forçando assim um segundo turno no qual os delegados poderiam votar livremente.

Nesse caso seria aberta a via para uma convenção negociada, algo que não ocorre desde 1952, e na qual seria preciso determinar quais seriam as outras alternativas e se estas podem congregar uma maioria suficiente sem provocar uma rebelião ainda maior entre os partidários do magnata.

Esta última opção é como muito improvável, já que o presidente do Comitê Nacional Republicano, Reince Priebus, está trabalhando há meses para conciliar posturas, assegurar uma convenção pacífica e evitar um vergonhoso espetáculo em horário de máxima audiência.

Se tudo ocorrer como o previsto, apesar da ausência e do desdém de muitos dos pesos pesados republicanos pelo magnata nova-iorquino, Trump será proclamado candidato à presidência na próxima quinta-feira, dia 21.

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