Diante de críticas cada vez mais ferozes, governo da França reforça segurança

Enrique Rubio.

Paris, 16 jul (EFE).- Incomodado com a proporção política tomada pelo atentado de quinta-feira em Nice, o governo da França anunciou neste sábado que reforçará a segurança em todo o país e defendeu as medidas de prevenção adotadas durante o Dia da Bastilha, respondendo às críticas cada vez mais duras dos setores de oposição.

As autoridades adotaram um discurso de que uma ação como a realizada por Mohamed Lahouaiej Bouhlel é difícil de ser evitada. "Haverá sem dúvida mais vítimas inocentes", disse o primeiro-ministro da França, Manuel Valls.

As críticas foram feitas pelos responsáveis do partido conservador Os Republicanos, do ex-presidente Nicolas Sarkozy, e, sobretudo, pela ultradireitista Marine Le Pen, que acusam o governo de não realizar todos os esforços necessários para garantir a segurança.

Para rebater o discurso oposicionista, o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, disse hoje que a presença das forças de segurança será reforçada em todo o território francês, em parte graças à incorporação de reservistas da Gendarmaria e da Polícia.

Essa reserva operacional, composta por 9 mil gendarmes e 3 mil policiais, será usada para dar descanso aos saturados agentes responsáveis por proteger as fronteiras, missão na qual também estão envolvidos parte dos 10 mil militares que reforçam a segurança.

A preocupação passa agora pela infinidade de festas e eventos culturais que ocorrem durante o verão no país, que contarão com planos de prevenção especiais para evitar novos ataques.

Após as ações realizadas por uma célula local - como na revista "Charlie Hebdo", em janeiro de 2015 - e por infiltrados que retornaram da Síria - como na casa de shows Bataclan, em novembro do ano passado -, o governo agora enfrenta o desafio de terroristas como Bouhlel, que se radicalizou muito rápido e sem deixar rastros.

"Aqueles que após um drama como esse dizem que têm a solução são irresponsáveis", disse o porta-voz do governo, Stéphane Le Foll.

Sempre disposta a fazer da segurança um campo de batalha político, Le Pen denunciou as "gravíssimas carências" do governo socialista na hora de enfrentar um problema que, avaliou, deveria implicar uma intervenção contundente no controle das fronteiras do país e uma maior vigilância sobre os imãs radicais.

"Quando dizem que se trata de atos imprevisíveis, que nós temos que nos acostumar com os ataques terroristas ou que o problema não poderá ser solucionar em várias gerações, ouço um discurso que incita à população ao derrotismo, ao desânimo e à angústia", afirmou Le Pen, líder da ultradireitista Frente Nacional.

Por isso, Le Pen exigiu a saída do ministro do Interior, que "apresenta um balanço lamentável de 250 mortos em 18 meses". "Ele deveria ter renunciado há tempo", exigiu a líder da extrema-direita.

Le Pen se uniu dessa forma a boa parte dos representantes conservadores, entre eles o candidato às primárias, Alain Juppé, que lançam uma série de questionamentos às autoridades desde o ataque.

Quem fez as críticas mais duras foi o governador da região de Provence-Alpes-Côte d'Azur e ex-prefeito de Nice, Christian Estrosi, que perguntou que medidas foram tomadas para evitar que se mate com "essa arma" (o caminhão usado pelo terrorista) na França.

Em uma resposta a Estrosi, mas sem citá-lo diretamente, Cazeneuve lembrou que o dispositivo de segurança para a festa do Dia da Bastilha em Nice tinha sido preparado junto com a prefeitura.

E lembrou que a prefeitura de Nice, agora comandada pelo aliado de Estrosi, Philippe Pradal, podia ter cancelado o evento se considerasse que não havia as condições necessárias.

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