Familiares vivem drama em hospitais de Nice tentando identificar vítimas

Luis Miguel Pascual.

Nice, 16 jul (EFE).- Pelo segundo dia, acompanhado de sua filha, de apenas 4 anos, Piero foi neste sábado ao Hospital Pasteur, em Nice, para tentar encontrar sua mulher, que estava assistindo aos fogos de artifício na festa de comemoração pelo Dia da Bastilha na última quinta-feira, quando um terrorista conduziu o caminhão que dirigia contra a multidão e matou 84 pessoas.

"Ela me ligou para falar comigo sobre o que tinha ocorrido, mas a ligação caiu. Desde então, não tive notícias dela", disse o homem, que vive na cidade de Piasco, na Itália, próxima a Turim.

Sem esperar a manhã de sexta-feira, Piero foi para Nice, temendo ter perdido toda a família, já que sua esposa estava com a filha do casal. "Não dormi a noite toda. Tinha ficado trabalhando enquanto elas passavam uns dias de férias na França", conta o italiano.

Quando chegou à cidade, ninguém tinha notícias sobre as duas. "Eu estava com uma foto da minha filha e da minha esposa. Informei que roupa elas usavam, a cor do cabelo. Me mandavam de um hospital a outro. Até que me revoltei e em 10 minutos encontram minha filha".

A criança estava bem, mas Piero não sabe nada de sua mulher. "Ela não estava com documentos, não conseguem encontrá-la. Minha filha a viu com uma perna quebrada. Mas ela ainda não apareceu", explica o italiano, se esforçando para controlar as emoções.

Piero afirmou que não deixará Nice até encontrar a esposa. Agora, ele está acompanhado do sogro, que já verificou todas as listas de mortos e feridos no ataque, reivindicado pelo Estado Islâmico. A mulher não está em nenhuma delas.

Das 84 pessoas mortas pelo tunisiano Mohammed Boulhel, faltam identificar 16 corpos. Muitos familiares estão na porta do Hospital Pasteur ou do Centro Pediátrico Lenval, que atendeu as crianças vítimas do ataque, querendo saber o destino de seus parentes. A maior parte deles não têm notícias desde o dia da tragédia.

Kamel Meshri estava acompanhando seu irmão, que não tem notícias do filho, também de 4 anos. "Ele estava com a mãe, que apareceu morta. Mas não sabemos nada do meu sobrinho", afirmou, com pouca esperança de ainda encontrá-lo vivo.

"Acredito que está morto. Onde vai estar uma criança de quatro anos? Perdido por aí?", questionou.

A porta-voz do Centro Pediátrico Lenval, Stéphanie Simpson, afirmou que cinco das crianças internadas no local ainda estavam em estado crítico, um tem situação estável e outros três ainda respiram com a ajuda de aparelhos. Há também um menino, de 8 anos, provavelmente estrangeiro, que não foi identificado.

Perto do hospital infantil foi montado um centro de apoio às vítimas, onde psicólogos voluntários prestam apoio profissional aos sobreviventes traumatizados e aos familiares desesperados que não conseguem encontrar seus entes queridos.

Claudine e Michel estão no Centro Pediátrico Lenval com fotos de um amigo de seu filho, de quem não tem notícias desde a noite da tragédia. "Nem nos hospitais, nem no centro de apoio às vítimas nos deram alguma informação", afirmou o casal.

Os dois voltam ao hospital. Na porta, Kamel Meshri chora desesperado. Seu irmão gesticula, levanta os braços para o céu e dá um grito impotente. Ele acabara de ser informado que seu filho estava entre os mortos do atentado.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos