Congresso no Irã pede que mulheres "estudem benefícios" do véu islâmico

Artemis Razmipour.

Teerã, 17 jul (EFE).- As mulheres do mundo inteiro devem "estudar" sobre os "benefícios" da vestimenta islâmica e a segregação por sexos na vida cotidiana para assim escolher essa forma de vida "mais segura", aconselharam os especialistas de um congresso internacional realizado no Irã.

A "Reunião Internacional de Castidade e Hijab" reuniu na semana passada em Teerã ativistas a favor do hijab - o véu que de acordo com os preceitos muçulmanos deve cobrir as mulheres - que tentaram explicar por que a prática é "benéfica" para que se submetam à mesma.

Durante o encontro, os palestrantes se esforçaram para defender o bom uso do hijab e a castidade entre as mulheres, além de expressarem preocupação com as limitações existentes no Ocidente para que "suas vozes sejam escutadas".

"Lá (no Ocidente) neutralizam nossas explicações. Nós não queremos obrigar as mulheres, mas buscamos insistir para que escolham este caminho. É um convite, não uma obrigação", disse Farah Arablu, representante da Fundação Nacional de Castidade e Hijab.

Arablu disse que o melhor é "estudar" o islã para descobrir que o "hijab não é uma obrigação", apesar de não ter conseguido explicar por que no Irã e em muitos outros países islâmicos o uso do véu é obrigatório para todas as mulheres.

"O hijab é um tema muito social. No Irã, o hijab se institucionalizou completamente como uma lei, e se alguém não quiser aceitá-la, tem outras opções para viver, como ir à França", disse Arablu.

O argumento da ativista para defender um código de vestimenta que exige "capuzes muito longos que cobrem totalmente o corpo e as proeminências do corpo da mulher" é que assim "as famílias" de outras mulheres são protegidas. Deste modo, à noite, uma mulher "não dá chances ao homem de outra família se desviar de seu pensamento".

Outra ativista que participou do fórum, a socióloga Somaye Sarafraz, tentou explicar as diferenças "da visão" de homens e mulheres, já que os primeiros, "quando veem o cabelo de uma mulher, a imaginam nua", segundo ela.

Os especialistas em hijab e castidade alertaram para os perigos de "normalizar" as relações entre homens e mulheres, o que, como denunciou o ativista e médico egípcio Mohamad Alhashemi, pode fazer com que "o povo busque a homossexualidade ou faça sexo com animais".

"Sempre tem que haver uma distância, para que os sexos opostos não percam seu sentimento de atração em relação ao outro", argumentou.

No Irã, após o triunfo da Revolução Islâmica em 1979, foram estabelecidas uma série de normas de inspiração religiosa e de cumprimento obrigatório, como a proibição de que as mulheres mostrem o corpo e o cabelo em público.

Além disso, foi instaurada a segregação total por sexos em lugares públicos, como escolas, escritórios e no transporte público. No entanto, a pressão popular fez com que muito frequentemente essas normas não sejam cumpridas e muitas mulheres mostram o cabelo com um hijab simbólico, usem uma intensa maquiagem ou roupas mais ou menos justas ao corpo.

Em consequência desse relaxamento da legislação, a cada ano, com o começo do verão, a polícia intensifica a pressão às mulheres que descumprem a legislação sobre a vestimenta, que são detidas e obrigadas a pagar uma multa por "hijab ruim".

Como sinal de protesto e para reivindicar o direito de se vestir como quiserem, há dois anos várias mulheres iranianas publicam suas fotos em uma página no Facebook chamada "A liberdade cautelosa das mulheres no Irã", nas quais aparecem sem véu.

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