Mais de 100 mil venezuelanos cruzam fronteira para comprar comida na Colômbia

Cúcuta (Colômbia), 17 jul (EFE).- Mais de 100 mil venezuelanos cruzaram ao longo deste fim de semana a fronteira com a Colômbia, aberta temporariamente, para comprar alimentos, artigos de primeira necessidade e remédios, produtos escassos devido à crise econômica e política vivida pelo governo de Nicolás Maduro.

Inicialmente, as autoridades dos dois países tinham previsto abrir o "corredor" pelas passagens que unem a cidade colombiana de Cúcuta com as venezuelanas San Antonio do Táchira e Ureña no domingo, mas a expectativa fez com que vários milhares de pessoas se reunissem na fronteira desde o início do sábado.

Por causa da aglomeração, as autoridades decidiram antecipar a abertura. Dessa forma, cerca de 44 mil venezuelanos cruzaram a fronteira no sábado e cerca de 63 mil no domingo, de acordo com dados do Ministério das Relações Exteriores da Colômbia.

Ao chegarem do outro lado das pontes que unem os dois países, os venezuelanos, emocionados, agradeciam aos agentes de migração, policiais e militares colombianos. Alguns chegaram a tirar fotos abraçando os servidores da fronteira por permitirem o acesso.

A necessidade de comprar alimentos, atendida de forma parcial com a visita ao país vizinho neste fim de semana, foi mostrada em alguns cartazes levados por alguns venezuelanos.

"Feliz Dia da Criança! Finalmente, comida digna e um passeio para meus filhos", dizia um cartaz exibido por uma mulher entre a multidão que cruzava a ponte internacional Simón Bolívar, entre Cúcuta e San Antonio do Táchira.

O movimento transcorreu sem incidentes, com apenas uma breve interrupção no sábado, quando membros do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) começaram a cantar palavras de ordem pró-governo, como "a pátria não se vende, a pátria se defende".

No domingo, antes mesmo do horário de abertura da fronteira, dezenas de milhares de venezuelanos esperavam o momento de cruzar as pontes Simón Bolívar e Francisco de Paula Santander.

Além disso, as autoridades permitiram a passagem por outra ponte, que liga a Venezuela à cidade colombiana de Puerto Santander, assim como pelo viaduto José Antonio Paéz, no departamento colombiano de Arauca, por onde entraram 1.600 pessoas do estado de Apure.

As passagens entre o estado venezuelano de Táchira e o departamento colombiano de Norte de Santander, cuja capital é Cúcuta, foram fechadas em 19 de agosto do ano passado, após ordem de Maduro, como parte de uma campanha contra o contrabando e supostas organizações paramilitares.

A medida se estendeu posteriormente para todos os 2.219 quilômetros de fronteira entre os dois países.

O objetivo dessas aberturas temporárias, segundo o governo da Colômbia, é "apoiar de forma solidária a população que pede a entrada transitória ao território colombiano, cooperar em assuntos que incidam positivamente na região da fronteira e avançar rumo uma abertura segura e sustentável da mesma".

Para evitar problemas e facilitar o trânsito, a Migração Colômbia enviou uma equipe de oficiais para controlar a movimentação das pessoas e o acesso à cidade de Cúcuta. Em um dos pontos de fiscalização foi preso um venezuelano por tráfico de imigrantes. Ele estaria tentando entrar na Colômbia com dois homens de origem árabe.

A chegada de venezuelanos a Cúcuta gerou um risco de desabastecimento na cidade, fato agravado por causa da greve de caminhoneiros no país, que chega ao seu 41º dia, e que provocou vários bloqueios nas estradas.

Diante da possibilidade, o ministro da Defesa da Colômbia, Luis Carlos Villegas, anunciou que várias caravanas com mantimentos - açúcar, azeite e farinha, os produtos mais demandados pelos venezuelanos - foram enviados desde a cidade de Bucaramanga, capital do departamento de Santander, até Cúcuta, para não haver desabastecimento.

As autoridades colombianas decidiram que a fronteira ficará aberta até às 23h locais (1h de segunda-feira, em Brasília) para que os venezuelanos tenham tempo para retornar ao seu país.

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