Ministra venezuelana critica Brasil em polêmica sobre presidência do Mercosul

Caracas, 17 jul (EFE).- A ministra das Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodríguez, criticou neste domingo o Brasil e o Paraguai por questionarem a transferência da presidência pro tempore do Mercosul ao seu país, devido à crise política e econômica que afeta o governo de Nicolás Maduro.

"O que está ocorrendo à margem disso, por parte de Brasil e Paraguai, é uma coisa inédita, insólita, que eu chamei de maus gestos. São iguais aos maus gestos de Luis Almagro (secretário-geral da Organização dos Estados Americanos)", disse Rodríguez em uma entrevista à emissora local "Televén".

A ministra se referia à reunião da última segunda-feira, em Montevidéu, que reuniu todos os chanceleres do bloco, atualmente presidido do Uruguai, quando não houve consenso sobre a transferência da presidência pro tempore à Venezuela.

"É o desconhecimento expresso do estado de direito hemisférico, é o desconhecimento e a violação flagrante das normas dos tratados constitutivos fundamentais do Mercosul. É o desrespeito imediato e absoluto das normas que regulam todos nossos órgãos", criticou.

A chanceler reiterou que a transferência "não está submetida à condição alguma. "É um assunto que não está sujeito a votação, a consenso, pois opera automaticamente", disse Rodríguez.

No encontro da última segunda-feira, o representante brasileiro, o subsecretário para América do Sul, Central e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Paulo Estivallet, disse que "há questões fundamentais em relação à transferência da presidência à Venezuela que, para o Brasil, parece não estarem resolvidas".

"Para o governo brasileiro, está claro que há um problema de política na Venezuela, que põe em dúvida se as credenciais neste momento para assumir a presidência são as que se esperam", afirmou.

Já o chanceler do Paraguai, Eladio Loizaga, disse que seu país defende que todos as nações-membros ajustem suas Constituições ao Tratado de Assunção (acordo constitutivo do bloco assinado em 1991) e aos protocolos de direitos humanos do Mercosul.

No próximo dia 30 de julho está marcada uma nova reunião do Conselho de Mercado Comum (CMC) do Mercosul para tratar mais uma vez do tema. O CMC reúne os ministros das Relações Exteriores e de Economia dos países-membros do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela) e é o principal órgão de decisão do bloco abaixo da cúpula de chefes de Estado.

Ontem, o ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, disse que o Mercosul está diante de "um grande problema" quanto à transferência da presidência pro tempore. Segundo ele, a situação "pouco avançou" na última segunda-feira, porque os países estão "bastante firmes" sobre suas posições.

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