Novo ataque na Louisiana deixa 3 policiais mortos e outros 3 feridos

Washington, 17 jul (EFE).- Pelo menos três policiais morreram e outros três ficaram feridos depois de terem sido baleados por vários homens armados, um deles morto pelos agentes, na cidade de Baton Rouge, no estado da Louisiana, no sul dos Estados Unidos, em uma aparente emboscada, informaram as autoridades.

O incidente ocorre dias depois um franco-atirador negro ter matado cinco policiais brancos em Dallas, no estado vizinho do Texas, durante um protesto contra dois novos casos de violência policial contra afro-americanos, um deles registrado exatamente em Baton Rouge.

O porta-voz do Escritório do Xerife de Baton Rouge, sargento Don Coppola, informou que um dos homens morreu na troca de tiros com os agentes. As autoridades acreditam que outros dois podem ter fugido. Não foram informadas suas raças ou motivações.

O ataque ocorreu por volta das 9h locais (12h em Brasília) nos arredores da delegacia da cidade, informou o prefeito de Baton Rouge, Melvin Holden.

Fontes que participam da investigação afirmaram à emissora "CNN" que os agentes tinham recebido uma ligação que alertava sobre a presença de um indivíduo suspeito armado com um fuzil caminhando pela estrada Airline, que passa em frente à delegacia.

Quando os agentes do Departamento de Polícia de Baton Rouge e do Escritório do Xerife chegaram para atender ao chamado começou o tiroteio, o que indica que a ação pode ter sido uma emboscada.

As imagens divulgadas pelas emissoras locais mostram os policiais isolando a região da delegacia e várias unidades das forças especiais da SWAT chegando ao local do incidente.

Segundo as autoridades, os três policiais feridos, cujas identidades não foram divulgadas, assim como as dos agentes que morreram, foram internados em hospitais da cidade e estão em estado crítico. A princípio, o prefeito de Baton Rouge tinha informado que entre quatro e sete policiais tinham ficado feridos no ataque.

O governador da Louisiana, John Bel Edwards, afirmou que o ataque é "totalmente injustificado". O incidente ocorre em um momento especialmente tenso na cidade, após os protestos pela morte de um negro por um policial durante uma prisão gravada em vídeo.

"Esse é um ataque indescritível e injustificado contra todos nós, que ocorre em um momento no qual precisamos de unidade e de estancar as feridas", disse Edwards.

Na última sexta-feira, Baton Rouge foi palco do enterro de Alton Sterling, um afro-americano, de 37 anos, que foi morto por dois agentes brancos com tiros à queima-roupa quando já estava imobilizado no chão.

Sua morte e a de Philando Castile, um negro de Minnesota, dois dias depois, também por policiais, após ter sido detido por uma infração de trânsito, reacenderam as tensões raciais no país e provocou uma onda de protestos liderados pelo movimento "Black Lives Matter" (Vidas de negros importam).

Ambos os incidentes, que representam uma onda de violência policial contra os afro-americanos, segundo os ativistas, foram registrados em vídeo e posteriormente divulgados pelas redes sociais e pela imprensa, o que gerou indignação em todo o país.

No meio da situação de tensão racial, as autoridades policiais já tinham alertado sobre ameaças contra a segurança dos agentes locais que eram consideradas como "críveis". Na última terça-feira, a polícia de Baton Rouge tinha prendido três pessoas que roubaram armas e teriam a intenção de atacar agentes.

O presidente dos EUA, Barack Obama, que foi informado do tiroteio, tem reiterado os pedidos de calma devido à tensão gerada pelos incidentes. Depois do ataque em Dallas, Obama interrompeu a viagem que realizava pela Polônia e Espanha para ir à cidade texana para prestar homenagem às vítimas e às outras sete pessoas que ficaram feridas, entre eles cinco policiais e dois civis.

Segundo as autoridades, o suspeito morto após protagonizar um confronto com a polícia local, identificado como Micah Johnson, de 25 anos, disse antes de morrer que seu objetivo era "matar agentes brancos" devidos aos incidentes de violência contra negros.

Os EUA viveram repetidos episódios de tensão racional recentemente, especialmente após a morte de Michael Brown em Ferguson, no Missouri, em agosto de 2014, também vítima de um policial branco, que acabou inocentado de todas as acusações posteriormente.

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