Macri participa de cerimônia pelos 22 anos de ataque à associação judia Amia

Buenos Aires, 18 jul (EFE).- O presidente da Argentina, Mauricio Macri, assim como vários membros do governo e representantes da sociedade civil, participaram nesta segunda-feira, em Buenos Aires, de uma homenagem em memória dos 22 anos do atentado à sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), o pior ataque terrorista sofrido pelo país e que permanece impune.

Em frente ao local onde ocorreu o atentado, em Once, nome dado informalmente a uma área que fica dentro do bairro de Balvanera da capital argentina, dezenas de pessoas se reuniram para homenagear às 85 vítimas que morreram no ataque.

Macri, acompanhado pelo chefe do Gabinete de Ministros, Marcos Peña, e outros membros do governo, depositou flores no local e depois continuou no ato, que tinha como lema "A memória nos une".

Uma sirene deu início à cerimônia às 9h53 locais, mesmo horário em que a bomba explodiu na sede da Amia em 1994.

"Para que nossos mortos não morram duas vezes. Uma pela bomba e outra pelo esquecimento e a indiferença, acenderemos uma vela e colocaremos uma rosa em memória dos falecidos", expressou em seu discurso uma das apresentadoras da homenagem.

Em seguida, ela falou, um a um, o nome das vítimas.

O atentado contra a Amia, que não foi esclarecido até hoje e cuja responsabilidade é atribuída ao Hezbollah, foi o segundo ataque terrorista contra judeus na Argentina. Em 1992, 29 pessoas morreram após a explosão de uma bomba em frente à embaixada de Israel em Buenos Aires, atentado também atribuído ao grupo terrorista libanês.

"Sabemos que o senhor tem a responsabilidade de guiar nosso país a um destino. Que a impunidade não vença a verdade. Esperamos que você possa conseguir", disse a apresentadora a Macri.

O vice-presidente da Amia, Ralph Thomas Saieg, pediu que sejam realizados avanços concretos na investigação e que o caso seja uma prioridade da Justiça, já que a entidade está "há 22 anos suportando a triste realidade de não ter um só preso".

"Mas seguiremos exigindo Justiça", afirmou, para lembrar que também se completa um ano e meio da morte do promotor Alberto Nisman, que tinha se envolvido na investigação do atentado.

Quatro dias antes de ser encontrado morto em seu apartamento em Buenos Aires, em circunstâncias que também seguem sem ser esclarecidas, Nisman tinha denunciado a então presidente, Cristina Kirchner, e outros membros do governo como responsáveis de orquestrar um plano para inocentar um grupo de iranianos como responsáveis pelo ataque à Amia.

Em sua denúncia, o promotor se baseava em um acordo assinado entre Argentina e Irã, que, segundo ele, tinha como objetivo encobrir os suspeitos do atentado em troca de impulsionar a troca comercial de grãos argentinos por petróleo iraniano. No entanto, o caso foi arquivado de forma definitiva pela Justiça.

Saig afirmou classificou de "vergonha" o fato de o promotor, por quem também se acendeu uma vela hoje, ter aparecido morto nessas circunstâncias e exigiu Justiça para determinar quem foram os responsáveis pela morte de Nisman.

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