Mais de mil policiais acompanham leitura de sentença de massacre no Paraguai

Assunção, 18 jul (EFE).- Cerca de 1,5 mil policiais estão desdobrados nas imediações do Palácio de Justiça, em Assunção, onde nesta segunda-feira estão reunidas cerca de 500 pessoas para escutar a sentença na íntegra do massacre de Curuguaty, no Paraguai, que em 2012 deixou 17 mortos e foi responsável pela destituição do presidente do país, Fernando Lugo.

O escrivão do tribunal está lendo as argumentações e fundamentos da sentença que já foi divulgada na segunda-feira, e pela qual 11 pessoas foram condenadas a penas de 4 e 30 anos de prisão.

Os policiais estão distribuídos dentro e fora do Palácio de Justiça, enquanto nos terraços dos edifícios vizinhos há agentes armados e encapuzados.

Há, além disso, centenas de pessoas que seguem a leitura da condenação desde a praça, entre elas parentes dos condenados, militantes de grupos de esquerda e público em geral.

O Mecanismo Nacional de Prevenção da Tortura (MNP) disse à Agência Efe que apresentarão um protesto pedindo a retirada do pessoal policial posicionado nos edifícios porque sua presença "não corresponde" com este tipo de ato.

Roque Orrego, do MNP, disse além disso que a polícia deteve 8 pessoas nos arredores da praça por levar supostamente armas brancas e balas de borracha.

As 11 pessoas que foram condenadas na segunda-feira eram acusadas de vários crimes, alguns deles pelas mortes dos seis policiais mortos no massacre.

A Promotoria nunca investigou os casos dos 11 camponeses que morreram durante o massacre.

Quatro dos condenados recuperaram na terça-feira sua liberdade ao cumprir suas penas (quatro anos de prisão) com a reclusão preventiva que mantinham desde 2012.

O caso Curuguaty (leste) se refere a uma operação realizada em 15 de junho de 2012 por várias centenas de policiais, que desalojaram cerca de 70 camponeses das terras que tinham ocupado para pedir que fossem integradas à reforma agrária.

Durante o despejo aconteceu um tiroteio no qual morreram 17 pessoas (11 camponeses e 6 policiais).

O massacre serviu de base ao então opositor e hoje governante Partido Colorado para impulsionar a destituição do presidente Fernando Lugo em um julgamento político tachado de irregular por instituições como Mercosul e União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

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