May defende armamento nuclear como "último seguro" contra ameaças

Londres, 18 jul (EFE).- A primeira-ministra britânica, Theresa May, defendeu nesta segunda-feira no parlamento a necessidade do Reino Unido renovar seu programa de armas nucleares como "último seguro" contra as ameaças que o país e seus aliados poderiam enfrentar no futuro.

"Durante mais de meio século, um de nossos submarinos esteve patrulhando constantemente os oceanos sem ser visto e nem detectado, completamente armado. Esse é nosso último seguro em caso de um ataque nuclear", disse May na câmara dos Comuns.

Os parlamentares emitirão um voto não vinculativo ao término da sessão sobre a renovação do programa de submarinos nucleares conhecido como Trident, um plano com um custo estimado de 31 bilhões de libras.

A primeira-ministra britânica ressaltou que seu governo está comprometido a manter o compromisso com a Otan de dedicar 2% do orçamento nacional à defesa.

May afirmou que o Reino Unido deve continuar sendo uma das cinco potências nucleares amparadas pelo Tratado de Não-Proliferação Nuclear -junto com os Estados Unidos, França, Rússia e China- não só por sua própria segurança, mas pela de seus aliados.

"O Reino Unido vai deixar a União Europeia (UE), mas não vai deixar a Europa. Não vamos deixar para trás nossos aliados europeus e da Otan", disse a chefe do governo britânico.

"Muitos países que assinaram o tratado (de não-proliferação) nos anos 60 fizeram porque entendiam que estavam protegidos pela Otan, o que inclui o programa de dissuasão nuclear britânico", apontou May.

A deputada do Partido Verde Caroline Lucas questionou o ponto de vista de May.

"Se manter e renovar nossas armas nucleares é tão vital para nossa segurança nacional, então deve a senhora aceitar a lógica que todos os demais países deveriam tentar possuir armas nucleares também", afirmou.

"Não, não aceito em absoluto -respondeu a primeira-ministra. Tristemente, o senhor e alguns membros do Partido Trabalhista parecem ser os primeiros a defender os inimigos de nosso país e os últimos a aceitarem as ferramentas que necessitamos".

O líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, se posicionou contra a renovação do Trident, apesar de dar liberdade de voto aos deputados de sua formação.

"A moção de hoje tem um enorme importância para este país e para o mundo", disse Corbyn, que pôs em dúvida a utilidade do Reino Unido possuir "armas de destruição em massa", ao mesmo tempo que criticou "a enorme quantidade de fundos necessários" para construir quatro novos submarinos nucleares.

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