Turquia restringe viagens ao exterior para todos os funcionários do governo

Ancara, 18 jul (EFE).- As autoridades turcas impuseram uma ordem aos funcionários do governo, que agora precisam de uma permissão expressa de seus superiores para viajar ao estrangeiro, dentro de uma operação para localizar os partidários do predicador islamita Fethullah Gülen, que é acusado pelos líderes do país de impulsionar o fracassado golpe de Estado do dia 15.

A emissora turca "NTV" informou que esta nova ordem foi comunicada a todos os organismos públicos e que, na prática, foram impedidas as saídas ao estrangeiro dos funcionários públicos.

Os veículos de imprensa turcos já tinham informado previamente sobre estritos controles nos aeroportos do país, que afetam especialmente os que possuem os chamados passaportes verdes e cinzas, um tipo de documento que os funcionários dos níveis mais altos da Administração recebem para viajar para muitos países sem vistos.

Vários afetados por esses controles declararam à emissora "CNNTÜRK" que estão sendo enviados um escritório no aeroporto e que muitos passageiros estão perdendo seus voos.

Também o jornal "Hürriyet" afirmou que os funcionários que ostentam esses passaportes estão sendo submetidos a longos processos de inspeção.

Além disso, o Escritório de Hospitais Públicos anunciou em comunicado que ficam suspensas todas as permissões e férias de seus trabalhadores devido à "difícil situação na Turquia".

A cúpula do poder insistiu que atrás do levante esteja Fethullah Gülen, um predicador islamita exilado desde anos nos Estados Unidos e que conta com muitos seguidores na polícia e no judiciário turco e distintas instâncias da Administração.

Aliado durante anos do presidente Recep Tayyip Erdogan e do partido do governo, o islamita AKP, há muito tempo o governo acusa Gülen de tentar criar um Estado paralelo para desestabilizar o país.

De fato, a Promotoria classifica a rede gülenista de "organização terrorista de Fethullah Gülen (FETÖ)".

Após o fracasso do golpe, o governo iniciou um expurgo na Administração pública, com milhares de detenções e suspensões de juízes, policiais, militares e funcionários em geral.

Só do Ministério do Interior foram expulsos 8.777 empregados, sobretudo policiais e gendarmes, enquanto dos demais ministérios foram suspensos cerca de 1,5 mil funcionários.

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