Violência nos EUA não é confronto entre brancos e negros, diz ativista

Santiago do Chile, 18 jul (EFE).- A violência que atualmente afeta os Estados Unidos, com a morte de oito policiais em ataques nos últimos dez dias, não é um confronto entre brancos e negros, afirmou nesta segunda-feira, em Santiago do Chile, a ativista americana Angela Davis.

"Não é um confronto de brancos contra negros, ou de policiais brancos contra policiais negros, porque entre os policiais envolvidos nestes incidentes (de violência contra afro-americanos) há negros", afirmou Davis em uma entrevista coletiva no Chile.

"Um dos policiais assassinados recentemente era negro", acrescentou a ativista, de 72 anos, que viajou à capital chilena para um encontro do Instituto Hemisférico de Performance e Política da Universidade de Nova York.

Marxista, ligada na juventude ao Movimento Panteras Negras, presa após acusação por homicídio e inocentada no julgamento, Davis tinha visitado o Chile no início dos anos 70, ainda durante o governo de Salvador Allende, e atualmente se dedica a tarefas acadêmicas.

Sobre a violência dos policiais contra pessoas afro-americanas, casos que precederam as mortes dos agentes nos ataques de Dallas, no Texas, e de Baton Rouge, na Louisiana, Davis lembrou que esse tipo de incidente não é nada novo no país.

"A violência policial nos EUA registrada no último ano não é nada nova, ocorre há décadas. O que é novo no momento atual é a organização das pessoas jovens. Não faz muito tempo, em Chicago, três meninas negras, de 16 e 17 anos, organizaram uma grande manifestação antirracismo", explicou a ativista.

Ela afirmou que o interesse dos jovens, mais que a violência em si, pode ser comparada entre o atual momento e os anos 60.

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