Após rebelião sufocada, Trump apresenta esposa e anima Convenção Republicana

Pedro Alonso.

Cleveland (EUA), 18 jul (EFE).- Com uma entrada espetacular e aos gritos de "Vamos ganhar!", Donald Trump animou nesta segunda-feira a Convenção Nacional Republicana em Cleveland (Ohio), depois que seu partido sufocou uma rebelião de delegados contra o polêmico magnata.

Mais como um "showman" que como um político, o empresário surpreendeu na última hora da segunda-feira as milhares de pessoas que abarrotavam o ginásio Quicken Loans e esperavam com impaciência o discurso de sua terceira esposa, a ex-modelo eslovena Melania Trump.

"Damas e cavalheiros, é para mim uma grande honra apresentar a próxima primeira-dama dos EUA", afirmou o multimilionário, após entrar no palco iluminado como uma silhueta e ao ritmo ensurdecedor da canção do Queen "We Are The champions" ("Somos os Campeões").

"Vamos ganhar. E vamos ganhar em grande estilo", acrescentou um eufórico e sorridente Trump, recebido com uma forte ovação, antes de ceder o protagonismo a sua esposa, cujo discurso tinha suscitado grande expectativa na primeira jornada da convenção.

"Meu marido está pronto para liderar esta grande nação, para lutar a cada dia pelo futuro melhor que merece. Senhoras e senhores, Donald Trump está preparado para servir e liderar como o próximo presidente dos Estados Unidos", disse com tom sereno sua esposa, com um radiante vestido branco.

O magnata havia chegado pouco antes a Cleveland em seu avião particular, em um gesto pouco habitual nestes eventos, aos quais os candidatos à Casa Branca costumam comparecer somente no último dia, quando acontece sua proclamação oficial.

A presença do multimilionário nova-iorquino, que lembrou seus tempos de apresentador do programa de televisão "O aprendiz", animou uma convenção sacudida horas antes por uma rebelião de delegados da facção "Never Trump" ("Trump Nunca").

Várias delegações estaduais reivindicaram aos gritos que se permitisse aos delegados votar de forma independente, sem atender ao resultado das eleições primárias, que o magnata venceu na maioria dos estados do país.

O caos se apoderou durante cerca de 30 minutos do plenário, mas a revolta foi aplacada pelo congressista de Arkansas, Steve Womack, que presidia a sessão.

Womack determinou que os rebeldes, reticentes a aceitar as provocações de Trump, não cumpriam os requisitos para votar de forma independente e, perante intermináveis queixas, decidiu encerrar a disputa.

Após a insurreição no Quicken Loans, onde os gritos normalmente provêm dos torcedores da equipe de basquete Cleveland Cavaliers, atuais campeões da NBA, os convidados a falar perante o auditório receberam o magnata.

O ápice chegou em uma série de discursos dedicados a assuntos de segurança sob o lema "Tornar os EUA seguros de novo", que parafraseia o lema de campanha "Tornar os EUA grandes de novo" de Trump, que se apresenta como o "candidato da lei e da ordem".

Especialmente apaixonada foi a fala de Rudolph Giuliani, o prefeito que liderou Nova York durante os atentados de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas e amigo pessoal do empresário durante "quase 30 anos".

"Ele será um bom presidente", ressaltou Giuliani, ao declarar-se "farto da difamação contra Donald Trump por parte dos veículos de comunicação" e da campanha da provável candidata democrata à presidência, Hillary Clinton.

Horas antes, depois do meio-dia, o presidente do Comitê Nacional Republicano (RNC), Reince Priebus, tinha inaugurado oficialmente o evento com uma batida de martelo e a frase "Ordem na convenção!", como manda a tradição.

Não faltou a pompa e circunstância patriótica que adereçam essas convenções, desde o juramento de lealdade à bandeira dos EUA até a interpretação do hino nacional por parte de um grupo infantil.

Reince também pediu um momento de silêncio em homenagem aos oito policiais assassinados a tiros nos últimos dias (cinco em Dallas e três em Baton Rouge) nos EUA, no meio da tensão que o país vive pelos casos de violência policial contra minorias, particularmente a afro-americana, que causaram vítimas mortais.

"Nossa nação chora quando vemos estes terríveis assassinatos", afirmou o presidente, ao chamar os policiais de "heróis" e admitir que os EUA vivem "tempos inquietantes".

Esses comentários abriram passagem para um ambiente mais festivo no ginásio, amenizado pelo grupo The G.E. Smith Band, que levantou os delegados de seus assentos e os fez dançar ao ritmo do rock.

A banda abriu seu repertório com a famosa canção "Happy Together" ("Felizes juntos"), dos Turtles, uma aparente declaração de intenções em um partido dividido em torno de Trump que procura projetar em Cleveland uma imagem de unidade.

A menos que tire outra surpresa da manga, o magnata imobiliário voltará a Cleveland apenas na quarta-feira, um dia antes de sua "coroação" como candidato republicano à presidência dos EUA.

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