Delegadas da Convenção Republicana defendem Trump como aliado das mulheres

Cristina García Casado.

Cleveland (EUA), 19 jul (EFE).- As delegadas da Convenção do Partido Republicano defendem que o provável candidato à presidência dos Estados Unidos pela legenda, o empresário Donald Trump, é um aliado das mulheres e minimizaram a importância da retórica machista que lhe rendeu uma impopularidade recorde entre o eleitorado feminino.

Todas as delegadas e convidadas para a convenção com as quais a reportagem da Agência Efe entrevistou rejeitaram categoricamente que o emprésário tenha um discurso machista, com argumentos como seu apoio às mulheres em suas empresas e a confiança que tem em sua filha Ivanka, uma de suas principais assessoras.

Trump enfrenta a uma situação duplamente insólita: concorrerá à presidência com a primeira mulher candidata por um grande partido, a democrata Hillary Clinton, e o faz com uma impopularidade histórica entre o eleitorado feminino, que supera os 70% em algumas pesquisas.

"Ele valoriza as mulheres muito mais do que Hillary, as mulheres, para ela, não poderiam importar menos. Se é que há uma guerra contra as mulheres (algo do qual os democratas acusam recorrentemente os republicanos), essa guerra vem do Partido Democrata", comentou, indignada, Barbara Heming, convidada pelos delegados da Flórida.

"Hillary não quer mulheres líderes, quer um governo com muito peso, quer controlar os indivíduos, tirar seus direitos", acrescentou, exibindo um vistoso chapéu vermelho com laço azul e adesivos de apoio a Trump.

Sherry Ogrodnik, que a acompanhava, a interrompeu para acrescentar que Trump tem "valores" como os que nos anos 80 a incentivaram a deixar de ser democrata e passar a apoiar os republicanos, atraída pelas propostas do presidente conservador Ronald Reagan.

Quando perguntadas se o magnata é suficientemente conservador em assuntos sociais, ambas se apressaram em lembrar que essa dúvida ficou liquidada no dia em que ele anunciou que seu candidato a vice-presidente seria o governador de Indiana, Mike Pence, que acumula décadas de batalha contra o aborto e o casamento gay.

Nos corredores da Quicken Loans Arena, que recebe a convenção, as mulheres republicanas exibem com orgulho seu apoio a Trump, um candidato que, segundo as pesquisas, é rejeitado por mais de 40% das conservadoras por seu longo e documentado histórico de comentários pejorativos sobre as mulheres, a quem com frequência julga apenas por seu aspecto físico.

"Se ouvir tudo o que disse, a razão pela qual fez esses comentários foi para obter muita atenção da mídia, para poder falar depois dos temas importantes", justificou à Efe a jovem Nazly de la Hoya, delegada pelo Texas.

Perguntada se, por ter origens mexicanas, se sentiu ofendida com os insultos de Trump sobre os imigrantes desse país, ela sorriu, fez uma pausa e se explicou.

"Não me senti ofendida, o que acontece é que Trump não teve filtro. Seu ex-chefe de campanha dizia que tinha um cartaz no qual colocava 'deixem que Trump seja Trump'. Muitas das coisas que disse eram só para que a mídia falasse constantemente dele", alegou.

Nazly, que pertence a dois segmentos do eleitorado muito difíceis para Trump, argumentou que não há nenhum conflito entre ser mulher e latina e apoiar o magnata ou o Partido Republicano, que têm seu nicho de apoio entre homens brancos.

Para Barbie Jones, uma designer de joias que vende suas criações na praça de alimentação da convenção, Trump é um homem a quem admira por "sua força e sua bondade" e porque "não tem medo de ser ele mesmo".

"Me fascina seu discurso a favor de que os produtos sejam fabricados aqui, e não fora. Eu o faço com minhas joias, tudo é feito aqui porque é bom para os empregos e porque as coisas são de melhor qualidade quando feitas aqui", afirmou, enquanto mostrava um elegante bracelete com um elefante, símbolo republicano, em prata.

A poucos passos de seu estande de joias estão as meninas da ONG Future Female Leaders ("Futuras mulheres líderes"), um movimento social de jovens conservadoras que visa convencer outras de que podem e devem ser orgulhosas de serem republicanas.

"Nas universidades, as jovens republicanas podem se sentir em minoria, não representadas, porque são espaços onde uma maioria é progressista, sobretudo em temas sociais como o aborto. Nós queremos criar um orgulho de ser republicana", contou à Efe Amanda Owens, fundadora do movimento.

Aos 18 anos, e já uma delegada substituta pelo estado do Texas, Brittany Divver está acostumada a ser perguntada por amigas por que é republicana. E responde de forma simples e direta: "Acredito nos valores do partido".

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