Ex-modelo eslovena, Melania Trump quer ser uma primeira-dama tradicional

Cristina García Casado.

Cleveland (EUA), 19 jul (EFE).- Melania Trump seria uma primeira-dama indubitavelmente atípica, a segunda nascida fora dos Estados Unidos e uma das poucas ex-modelos, mas no entanto quer desempenhar o papel da maneira mais tradicional possível, se seu marido, Donald, ganhar as eleições de novembro.

Aos 46 anos e com imponente beleza, Melania é a antítese do magnata quando o assunto é personalidade: é extraordinariamente discreta, sempre mantém um tom sossegado e evita a todo custo se envolver em polêmicas.

Na incendiária campanha de Donald Trump, com quem se casou há 11 anos, ela se manteve o mais afastada possível do foco, deixando o posto de principal coadjuvante com Ivanka, filha do primeiro casamento do multimilionário e uma de suas principais assessoras.

Por isso é tão surpreendente que agora, quando todos os holofotes estão voltados para a convenção do Partido Republicano, em Cleveland, ela seja o inesperado centro da polêmica pelas semelhanças de seu discurso com o que Michelle Obama pronunciou na convenção do Partido Democrata que, em 2008, designou Barack Obama como candidato à presidência.

Com a cautela que a caracteriza, Melania deixou que a campanha de Trump defenda a autenticidade de suas palavras e se limitou a publicar o comunicado oficial no Twitter, no qual não escrevia desde abril.

Ciente da imagem dura projetada por seu marido, ela mesma tinha pedido para fazer um discurso para mostrar o lado mais humano de Donald, a quem descreve como um homem "muito preocupado desde sempre por seu país" e a quem viu "lutar durante anos sem se render".

Medindo ao máximo suas palavras, o contrário do que seu marido costuma fazer, Melania se apresentou nas poucas entrevistas que concedeu como uma mulher devota de sua família e que manteria um papel muito tradicional se chegar a ser primeira-dama.

Sua "causa" - todas as primeiras-damas tiveram uma - seria a dos "mais necessitados, sobretudo as mulheres e as crianças", mas reservaria tempo para se dedicar ao único filho do casal, Barron, de dez anos, e a apoiar seu marido.

Para muitos, é um paradoxo que Trump, um candidato que causou escândalo fora e dentro do país com sua retórica xenofóbica e ultranacionalista, possa levar à Casa Branca a única primeira-dama nascida fora dos EUA desde a esposa do ex-presidente John Quincy Adams (1825-1829), que era britânica.

Melania Knauss cresceu em uma modesta cidade próxima a Sevnica, na Eslovênia, que então fazia parte da Iugoslávia, dissolvida em 1992 com a Guerra dos Bálcãs.

Após começar sua carreira de modelo em Milão e Paris, se mudou para Nova York em 1996. Cinco anos mais tarde, obteve a residência permanente e, em 2006, se naturalizou americana.

Esse é um momento de sua vida que lembrou, sob aplausos, em seu discurso na convenção. Não se estendeu sobre suas origens como imigrante, mas ressaltou os valores de esforço e honestidade que seus pais lhe transmitiram.

Em outras ocasiões, quando perguntada o que acha dos comentários de seu marido sobre os imigrantes, ressaltou sempre a diferença para os que chegam aos Estados Unidos de maneira irregular: ela seguiu "as regras", respeitou "a lei".

Melania é extremamente cuidadosa ao falar sobre sua vida matrimonial com Trump, a quem conheceu em uma festa da Semana da Moda de Nova York em 1998.

"Os dois somos muito independentes. Eu deixo ser quem ele é, e ele me deixa ser quem sou. Não tentaria mudá-lo, é um adulto. Ele conhece as consequências. Eu lhe dou minha opinião muitas, muitas vezes", explicou em fevereiro em uma entrevista à rede "CNN", na qual confessou que não gosta do tom duro de seu marido.

O magnata se desfaz em afagos para sua esposa, a quem descreveu como uma "mãe impressionante, uma mulher incrível" quando apresentou seu discurso na convenção republicana.

Trump não reagiu ainda à polêmica do suposto plágio, mas está "furioso", disseram fontes próximas a ele à imprensa americana.

Quando um grupo ligado ao senador Ted Cruz usou em um anúncio de campanha uma foto de um ensaio nu de Melania no ano 2000 para a revista "GQ", Trump saiu em ataque contra seu então adversário nas eleições primárias e retuitou uma mensagem de um seguidor que comparava uma foto pouco favorecedora de Heidi Cruz com outra de sua esposa.

Melania não seria a primeira ex-modelo na Casa Branca porque Pat Nixon e Betty Ford também o foram, mas sim a primeira a ter posado nua e a única terceira esposa de um presidente. Como ela gosta de dizer, nada é convencional quando se trata de Donald Trump.

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