Primeiro-ministro diz que enviará provas do envolvimento de clérigo em golpe

Ancara, 19 jul (EFE).- O primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, garantiu nesta terça-feira que o país pedirá formalmente aos Estados Unidos a extradição do clérigo Fethullah Gülen, apontado como responsável pela fracassada tentativa de golpe de Estado que aconteceu na noite da última sexta-feira.

"O presidente (Recep Tayyip Erdogan) e eu fizemos apelos para que nos devolvam o líder dos terroristas. O Ministério da Justiça enviou o expediente, mas nos pedem provas. Quando as coisas são óbvias, no entanto, não é preciso de provas", afirmou Yildirim.

O primeiro-ministro turco ainda questionou a cobrança dos governantes dos Estados Unidos, relembrando casos antigos de ataques ou ameaças ao país.

"Enviaremos muitas provas, mas quero perguntar aos nossos amigos americanos: vocês pediram provas ao ir atrás dos terroristas que derrubaram as Torres Gêmeas? Pediram provas para encarcerar suspeitos em Guantánamo?", indagou.

"Não sigam protegendo este líder terrorista. Ele não tem nenhuma utilidade para vocês", completou.

Yildirim garantiu que o governo da Turquia não tem "mínima dúvida" sobre quem organizou o golpe e ainda que a rede formada pelo clérigo está estendida ao Exército do país desde 1980.

O primeiro-ministro agradeceu ao posicionamento dos líderes europeus, que condenaram a tentativa de tomada do poder, mas fez ressalvas aos que cobraram que sejam respeitados os direitos dos presos.

"Entregamos nossas vidas, o povo está na rua. Vocês querem que relaxemos na luta contra o terror? Não! Todos os que esperavam algum benefício por causa do golpe serão punidos severamente", disse o chefe de governo.

Yildirim garantiu, no entanto, que a atuação acontecerá no "marco da lei, não com emoções ou fúria", mas que será imposta lei mais dura para os conspiradores, e que, se elas "não bastarem", serão criadas outras mais severas, o que abre possibilidade, inclusive, ao retorno da pena de morte, abolida do país em 2004.

De acordo com o primeiro-ministro, amanhã haverá reunião do Conselho de Segurança Nacional, seguida por outra dos ministros de Recep Tayyip Erdogan. O chefe de governo não antecipou medidas, mas falou em "decisões muito importantes".

Fontes informaram à Agência Efe que se trata da declaração de lei marcial em todo a Turquia.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos