Apesar do clima de tensão, Convenção Republicana segue sem grandes incidentes

Jairo Mejía.

Washington, 20 jul (EFE).- A tentativa de incendiar uma bandeira e a detenção de meia dúzia de manifestantes foram os incidentes mais destacados nesta quarta-feira nos protestos da Convenção Republicana em Cleveland (Ohio), onde as diferentes paixões suscitadas pelo candidato Donald Trump não passaram do terreno das provocações.

Ao grito de "A única solução: revolução", meia dúzia de ativistas foram detidos sem oferecer resistência após as caóticas cenas vividas nos arredores do perímetro que controla o acesso à Convenção Republicana, onde hoje discursará o candidato a vice-presidente da legenda, Mike Pence.

O estopim foi a aparente tentativa de queimar uma bandeira americana, algo que foi evitado pela intervenção da polícia, que aproveitou para dispersar os manifestantes que se concentravam em um dos acessos utilizados pelos participantes do evento.

As tensões entre os defensores de Trump e os contrários ao discurso do magnata seguem sem provocar a temida violência nas ruas de Cleveland.

O grito de "Os Estados Unidos nunca foram grandes" de ativistas negros quando eram introduzidos nos furgões policiais enervava os delegados, que vestidos com suas melhores roupas chegavam escoltados ao plenário da convenção.

"Comunistas no calabouço!" ironizou um delegado, enquanto lhes dedicava uma saudação atrás do cordão policial.

Os "motociclistas por Trump" comentavam em uma esquina os rumores da queima da bandeira, enquanto os maquiados apresentadores da "CNN" e "NBC" se dirigiam entre a multidão aos estúdios instalados na rua.

Por enquanto o centro de Cleveland vive com certa tranquilidade a véspera da "coroação" de Trump, que com seu discurso ofendeu imigrantes, muçulmanos e mulheres.

O coração de Cleveland, onde hoje se ergueu um muro simbólico, se transformou em um desfile de reivindicações desatendidas e em cenário das paixões desencontradas despertadas por Trump, que amanhã aceitará oficialmente a candidatura republicana.

Convocados pela organização pró-imigração Mijente, dezenas de pessoas, entre elas imigrantes ilegais, se reuniram sob a estátua de Moses Cleveland, fundador da cidade, para erguer um muro de tela com o qual pretendiam isolar Trump simbolicamente.

O magnata, que prometeu levantar um muro ao longo da fronteira com o México se for eleito presidente para deter a imigração irregular, foi o alvo das críticas dos participantes, que temem que o país possa dar uma guinada xenófoba com o nova-iorquino no governo.

"Viemos dar a Trump seu muro, mas não o muro que ele quer, mas um que nos protegerá de sua ignorância e racismo", afirmou à Agência Efe Marisa Franco, cofundora da Mijente.

A praça de Cleveland começou a abarrotar-se antes do meio-dia. Protestos por assuntos sérios, paródias contra Trump ou apaixonados fãs do magnata se aglutinam, gritam, clamam ao céu ou debatem sob o atento olhar de uma densa presença da polícia.

Milicianos conservadores armados fazem guarda com fuzis de assalto e um homem com sotaque espanhol, transformado em um dos maiores seguidores do polêmico candidato republicano, sustenta uma gigantesca pintura de seu ídolo.

O chefe da polícia de Cleveland, Calvin Williams, que se transformou em uma presença habitual, caminha com seu uniforme de verão entre a massa de ideólogos e intervém em uma acalorada discussão entre dois jovens com bonés "Make America Great Again" (lema da campanha de Trump) e dois ativistas negros.

O porte do "Chefe", como o atlético oficial negro é chamado, ajuda a baixar o tom da discussão, enquanto um enxame de câmaras corria para captar o momento.

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