Cazeneuve diz que atentado Nice é caso de "violência patológica"

Paris, 20 jul (EFE).- O ministro de Interior da França, Bernard Cazeneuve, considerou que o autor do atentado de Nice, Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, é um caso de "uma violência patológica que se viu acumulada na ideologia de morte do Estado Islâmico" (EI).

Em entrevista ao jornal "Le Monde" publica hoje, ele disse que Bouhlel tinha se radicalizado há pouquíssimo tempo e nunca tinha combatido com o EI, que "não reivindicou ter organizado este ato terrorista, mas colocou sua marca a posteriori".

Cazeneuve se defendeu das críticas da oposição de direita que acusa o governo de não ter feito o suficiente para evitar o ataque, e afirmou que o atentado de Nice é muito diferente do que tinha acontecido até agora.

"Todas as medidas que tomemos nunca garantirão o risco zero. Dizer isso é falar a verdade aos franceses sobre a realidade da ameaça", insistiu.

O ministro respondeu aos ataques da direita sobre não ter feito o necessário para impedir o ataque de Nice no dia 14, que causou a morte de 84 pessoas e feriu mais de 300, e disse que este comportamento é "irresponsável" e "inaceitável".

Quanto ao pedido de Marine le Pen para que ele renuncie, Cazeneuve considerou que a presidente da Frente Nacional (FN) tem "um objetivo constante: suscitar e manter a divisão do país apontando a todos os muçulmanos da França, com o pretexto de denunciar os fundamentalistas".

Ele reiterou que, apesar da ameaça terrorista, a França não vai suspender "os grandes eventos" do verão europeu, da mesma forma como manteve a organização da Eurocopa e a Conferência sobre a Mudança do Clima.

"A França deve continuar sendo França", enfatizou.

O ministro disse que o estado de emergência, que está em vigor desde os atentados jihadistas de 13 de novembro em Paris e vai ser prolongado em virtude de um projeto de lei que será debatido hoje no Senado, não pode estar em vigor de forma permanente. No entanto, especificou que "não é um estado de exceção, é constitutivo do Estado de direito" e que o atentado de Nice "mostra que pode haver réplicas e pede um nível de vigilância reforçado".

"É o caráter iminente do perigo o que justifica o prolongamento", explicou.

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