Kerry apoia resposta da Turquia ao golpe e nega contato dos EUA com Gülen

Washington, 20 jul (EFE).- O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, expressou nesta quarta-feira seu apoio à resposta dada pela Turquia à fracassada tentativa de golpe de Estado e negou que o governo americano esteja em contato com o clérigo islâmico Fethullah Gülen, acusado por Ancara de promover a rebelião.

"Apoiamos (as ações) do governo turco para acabar com este golpe, o condenamos e somos claros sobre nosso desejo de ver como a democracia continua e floresce na Turquia", disse Kerry em entrevista coletiva em Washington durante uma cúpula internacional sobre a crise humanitária no Iraque.

De acordo com Kerry, os Estados Unidos querem "assegurar que, à medida que se implementa essa resposta ao golpe, (o governo turco) respeita completamente a democracia que os EUA apoiam".

Quase 50 mil pessoas - entre elas policiais, juízes e professores - foram destituídas do emprego e cerca de oito mil foram detidas como parte do expurgo iniciado pelo governo de Recep Tayyip Erdogan contra supostos participantes da tentativa de golpe de Estado na semana passada e contra supostos seguidores de Gülen.

A fracassada rebelião militar tensionou as relações entre Washington e Ancara, dado que o governo turco culpa Gülen, exilado desde 1999 nos Estados Unidos e que conta com muitos seguidores na polícia, no judiciário turco e em parte da política.

O governo turco enviou nesta terça-feira duas cartas às autoridades americanas sobre o tema: uma ao Departamento de Justiça, na qual pedia a prisão de Gülen, e outra ao Departamento de Estado, pedindo sua extradição.

Kerry disse ainda não ter visto a solicitação enviada a seu departamento, mas ressaltou que em todos os seus contatos com o governo turco pediu "que não enviem acusações, mas provas".

"Precisamos ter provas que possamos avaliar. Temos uma série de requisitos muito rígidos que têm que ser cumpridos para que possa haver uma extradição", afirmou Kerry. O representante americano prometeu, no entanto, que o governo americano estudará o pedido feito pela Turquia de maneira "rápida".

Perguntado se o governo americano esteve em contato com Gülen desde que aconteceu o golpe, o titular das Relações Exteriores ressaltou que isso "seria inadequado", especialmente agora que há um "processo legal" em curso por ser solicitada sua detenção ao Departamento de Justiça.

"Que eu saiba, ninguém no Departamento de Estado está em contato com o senhor Gülen e ninguém tem razões para estar em contato com ele, nem deveria fazê-lo", comentou.

Em comunicado, Gülen pediu na terça-feira ao governo americano que rejeite o pedido de extradição, por considerá-la uma "vingança política" de Erdogan, e disse que é "ridículo, irresponsável e falso" sugerir que ele tenha estado envolvido no golpe.

Kerry também disse que acredita que a missão contra o Estado Islâmico (EI) seja "negativamente impactada" pelo golpe de Estado na Turquia, um aliado-chave na coalizão contra os jihadistas, mas demonstrou confiança em futuramente ter mais clareza sobre "o caminho que será seguido" pelos turcos.

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