Letra "M" aterroriza membros do Estado Islâmico na cidade iraquiana de Mossul

Yaser Yunis.

Mossul (Iraque), 20 jul (EFE).- A letra árabe "mim", transliterada para o "m" em português, está aterrorizando o Estado Islâmico (EI) na cidade de Mossul, no norte do Iraque, desde que passou a ser usada como símbolo da resistência que assassinou vários membros da organização terrorista.

O "mim" é a primeira letra da palavra árabe "Muqauama", ou resistência, que se propagou na maioria dos muros e vielas da cidade, em sinal de desafio e apoio à luta contra o EI.

O chefe do Comitê de Segurança do Conselho da Província de Ninawa, cuja capital é Mossul, Mohammed al Bayati, disse à Agência Efe que a letra está, efetivamente, aterrorizando os extremistas porque os moradores começaram a "muqauama" contra eles.

Além disso, Al Bayat lembrou que membros da resistência mataram um jihadista identificado como Liz Nasser Abderraham em um bairro do leste do norte da cidade, controlada pelo EI desde junho de 2014.

"Os moradores da cidade mostraram sua resistência, escrevendo 'mim' nas paredes e também denunciando posições do EI, colocando marcas nos veículos dos jihadistas para que sejam alvo dos aviões iraquianos e da coalizão internacional", explicou Al Bayati.

Para conter a propagação do "mim" na cidade, a organização prendeu muitos jovens nos bairros. Só na região de Al Arabi, no norte de Mossul, foram detidos mais de 20 deles, após os radicais terem pichado o símbolo nos muros de uma escola.

Al Bayati afirmou que a resistência em Mossul é uma demonstração clara e forte de que o EI não se sentirá seguro enquanto persistir em se esconder na cidade para lutar contra as tropas iraquianas.

"Vai encontrar em cada rua, em cada casa, um inimigo. A resistência aproveitará qualquer distração para lançar ataques, e a força aérea apoiará cada grupo ou força que deseje lutar", disse.

"A resistência em Mossul precisa que o exército iraquiano se aproxime ao mesmo tempo em todas as direções da cidade", explicou.

Por sua vez, um responsável local de Mossul, identificado como Mohammed al Jabouri, indicou que o EI enviou todos seus reservistas e membros do esquema de segurança e administrativos da cidade para as frentes de batalha.

Além disso, afirmou que, depois de terem suas sedes e quartéis fortemente bombardeados, os jihadistas se refugiaram e dormem dentro dos hospitais de Mossul, já que estes não são alvos dos ataques. As ruas e avenidas estão vazias de terroristas por temor das ofensivas.

Um morador de Mossul, Nazar Jamil Salem, de 27 anos, disse à Efe que o grupo está realizando amplas campanhas de detenções, ao mesmo tempo em que pede às pessoas nas mesquitas que se unam a eles.

"Anteriormente, os imãs das mesquitas, durante a oração das sextas-feiras, se dirigiam os fiéis de maneira enérgica e até violenta. Mas na última sexta-feira, vi um clérigo totalmente desanimado. Apesar disso, ele pedia que os fiéis se unissem à guerra santa contra apóstatas tropas curdas 'peshmergas', o exército iraquiano leal ao Irã e a coalizão internacional", relatou.

Salem também lembrou que o EI insistiu em anunciar que o mês do Ramadã - entre 6 de junho e 5 de julho - seria um "mês de conquistas, mas se transformou em uma grande derrota para eles".

O comandante das Operações para a Libertação de Ninawa, general Neshm al Jabouri, disse à Efe que o EI desaba de uma maneira que supera as expectativas. "A hora zero para a batalha de Mossul está muito próxima. Não anunciaremos porque surpreenderemos o inimigo sobre suas cabeças dentro da cidade", afirmou.

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