Coalizão contra EI aumenta esforços e elabora planos para o pós-guerra

Raquel Godos.

Washington, 21 jul (EFE).- A coalizão internacional para a luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) esboçou ontem e nesta quinta-feira em Washington novos esforços "para derrotar" a organização terrorista e começou a elaborar estratégias para um cenário posterior.

Reunidos na capital americana, os ministros de Relações Exteriores e Defesa dos 26 países que compõem a coalizão - 20 deles integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) -, se comprometeram a dar novos passos no combate aos radicais.

Em comunicado conjunto, a coalizão informou que o encontro serviu "para impulsionar e acelerar em múltiplas frentes a campanha", que tem como prioridade derrotar o EI no Iraque e na Síria.

Os ministros de Defesa e Relações Exteriores dos países concordaram com a urgência de acabar com o controle do EI sobre as cidades de Mossul, no Iraque, e Al Raqqah, na Síria, redutos onde os jihadistas têm bases de operações e estão mais protegidos.

"Para garantir que essas vitórias militares nos levam a uma derrota irreversível do EI, nos comprometemos a elaborar uma estratégia integral e integrada para a campanha", afirmaram.

"O treino e a assistência a nossos companheiros das forças sírias e iraquianas são elementos essenciais dessa estratégia. E também buscamos reduzir o impacto das operações militares sobre os civis, enquanto nos preparamos para os desafios humanitários e deixamos o terreno preparado para uma rápida estabilização das comunidades liberadas", acrescentaram os representantes dos países.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, um dos anfitriões do encontro junto ao chefe do Pentágono, Ash Carter, agradeceu o esforço conjunto dos 26 países, que se comprometeram a contribuir com mais US$ 2,1 bilhões a um "fundo de recuperação" e ajuda à reintegração dos cidadãos.

Os ministros também se reuniram em matéria de inteligência, momento em que discursou o diretor da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA, em inglês), James Clapper, assim como Jürgen Stock, o secretário-geral da Interpol, que se uniu aos esforços recentemente.

Kerry ressaltou os esforços fundamentais que os países ocidentais devem fazer para deter o EI, não só na Síria e no Iraque, mas também dentro das próprias nações que integram a coalizão, como demonstram os recentes atentados perpetrados ou inspirados pelos jihadistas, na Europa e nos Estados Unidos.

"Os terroristas não precisam de um grande orçamento para lançar um ataque indiscriminado, principalmente contra um grupo de civis em um campo de futebol, uma boate, uma padaria, um complexo perto da praia, ou um trem", alertou o secretário de Estado americano.

"Não necessitam fazer um grande planejamento se não tiverem nenhum desejo de ocultar suas identidades, bolar uma fuga ou estar vivos no dia seguinte. Não necessitam uma grande organização se sua estratégia é utilizar as redes sociais para inspirar as pessoas que nem sequer conhecem", insistiu.

A reunião também serviu para trocar relatórios e aproximar acordos de cooperação em matéria de inteligência e comunicação, com o objetivo de frear o EI em sua expansão global.

Segundo Kerry, os Estados Unidos já têm acordos de troca de informação com 55 parceiros internacionais a fim de identificar e realizar um monitoramento dos suspeitos de terrorismo.

Pelo menos 50 países oferecem neste momento os perfis dos combatentes terroristas estrangeiros à Interpol e nos últimos anos 40 nações aprovaram ou atualizaram leis para identificar e poder processar esses possíveis terroristas com maior eficácia.

"Olhando para o futuro, temos que continuar rompendo a estrutura e as barreiras burocráticas a fim de sermos capazes de compartilhar todos os dias a informação da forma mais rápida e mais ampla possível para que um guarda de fronteira no sul da Europa tenha os mesmos dados sobre um suspeito de terrorismo que um oficial de segurança do aeroporto de Manila ou um agente do FBI em Boston", disse.

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