Militares turcos são declarados culpados de entrada ilegal na Grécia

Atenas, 21 jul (EFE).- Um tribunal da Grécia condenou nesta quinta-feira a uma pena de dois meses de prisão, suspensa durante três anos, os oito militares turcos que entraram ilegalmente na Grécia após o fracasso da tentativa de golpe militar na Turquia.

O tribunal de Alexandruoupolis, no norte da Grécia, declarou culpados de entrada ilegal no país e inocentes da acusação de violação do espaço aéreo.

Os juízes consideraram como atenuante o fato de que os oficiais que fugiram para a Grécia de helicóptero agiram em uma situação de ameaça.

Os oito oficiais permanecerão, no entanto, sob custódia enquanto se tramita sua solicitação de asilo.

Os militares pediram asilo político de maneira formal na terça-feira passada em Alexandroupolis, cidade à qual chegaram após fugir da Turquia a bordo de um helicóptero militar Black Hawk.

Durante o julgamento, os oito acusados não só negaram ter participado da tentativa de golpe, mas asseguraram que souberam do golpe por seus familiares.

Segundo disse para a imprensa Ilia Marinaki, que defende três deles, pouco depois de serem detidos os homens afirmaram que sua deserção para a Grécia aconteceu após serem atacados.

Os oficiais disseram que suas ordens eram transportar feridos nos quatro helicópteros que estavam operando.

Em dado momento três dos aparelhos foram atingidos por tiros da Polícia, por isso que decidiram embarcar no único que não tinha sofrido danos, afirmou a advogada.

"Primeiro aterrissaram em uma floresta em território turco, perto da fronteira com a Grécia. Ali discutiram os passos a seguir e decidiram ir para a Grécia", acrescentou.

Os oito militares decidiram pedir asilo político na Grécia porque temem por suas vidas na Turquia.

Embora o país vizinho tenha abolido a pena de morte em 2004, nos últimos dias, o presidente, Recep Tayyip Erdogan, voltou a falar da possibilidade de reintroduzi-la.

Um grupo de muçulmanos se reuniu nos arredores do tribunal e agitaram bandeiras turcas e cantaram palavras de ordem a favor de Erdogan e contra os detidos, aos quais chamaram de "delinquentes uniformizados".

O governo turco exigiu a extradição destes militares desde que se conheceu sua chegada a Alexandroupolis, e o embaixador da Turquia na Grécia, Kurim Uras, advertiu que se isto não for cumprido as relações entre os dois países seriam afetadas.

Poucas horas após aterrissar na Grécia, o ministro das Relações Exteriores turco, Mevlüt Cavusoglu, já tinha pedido a Atenas a extradição "imediata" dos oito "traidores".

Seu colega grego, Nikos Kotziás, reconheceu que será "muito difícil" que os oito militares possam obter asilo na Grécia, tendo em vista que eles são acusados de estarem envolvidos em um golpe de Estado.

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