Trump diz que colocará condições para defender aliados da Otan

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Nova York, 21 jul (EFE).- O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira que, se for eleito, só defenderá os aliados do país na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se eles "cumprirem com suas obrigações".

Em entrevista ao jornal "The New York Times", o empresário afirmou que o apoio americano aos aliados da Otan não deve ser "automático", mas sim "condicionado", em uma referência implícita às contribuições econômicas que os membros do pacto devem realizar.

"Se cumprem com suas obrigações (econômicas), a resposta é sim", disse Trump ao ser perguntado se ajudaria os países dos Bálcãs, membros mais recentes da Otan, caso fossem atacados pela Rússia.

Representantes dos governos dos países bálticos não demoraram a mostrar seu desconforto com as declarações de Trump, mas ressaltaram sua confiança na parceria de defesa com EUA em último caso.

"Confiamos no apoio americano, independentemente de quem seja o presidente", disse a presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite, de acordo com a agência de notícias "BNS", reiterando que os EUA "são aliados mais importantes" de seu país.

Na entrevista, o republicano mostrou sua vontade de romper com algumas posturas da política externa dos EUA para contribuir com a propagação da democracia e liberdade em outros países.

"Precisamos de aliados, mas não vamos dar lições aos demais sobre o que devem fazer dentro de suas fronteiras", indicou.

Sobre a tentativa de golpe de Estado na Turquia há seis dias, Trump indicou que não pressionará o país nem outros aliados políticos para interferir na questão porque os EUA já têm muito trabalho para "colocar seus próprios assuntos em ordem".

"Não temos o direito de dar lições a ninguém. Veja o está ocorrendo em nosso país: como vamos dar lições a alguém quando temos pessoas atirando a sangue frio em policiais?", questionou.

Trump também disse "dar crédito" a presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, por ter conseguido "parar o golpe". "Há quem diga que tudo foi uma montagem. Eu não acredito nisso", afirmou.

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o Partido Republicano tem tentado implantar uma abordagem internacionalista nas relações internacionais do país, defendendo que os EUA sejam fiadores da paz.

"Agora não é igual há 40 anos. Estamos gastando uma fortuna para enviar soldados pelo mundo e perdemos US$ 800 milhões em déficit comercial. Isso não soa muito inteligente", destacou.

Sobre possíveis desdobramentos militares para responder às ameaças nucleares da Coreia do Norte ou atuar no conflito do Mar do Sul da China, Trump se mostrou a favor de enviar tropas apenas se for para "defender os EUA". Além disso, o candidato republicano defendeu uma modernização do arsenal militar americano.

"Temos um monte de armas obsoletas. Temos material nuclear que não sabemos nem para o que funciona", afirmou o empresário.

Em relação à Síria, Trump afirmou que o país é uma "prioridade" que está "muito abaixo" do Estado Islâmico (EI). "Bashar al Assad (presidente da Síria) é um homem mau. Fez coisas horríveis", disse o candidato republicano.

Trump reiterou seu desejo de abandonar o Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês) a não ser que ele seja renegociado com México e Canadá. O empresário quer que as empresas que mudaram suas sedes para os países vizinhos voltem a se instalar nos EUA.

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