Turquia suspende Convenção de Direitos Humanos devido a estado de emergência

Ancara, 21 jul (EFE).- O governo da Turquia anunciou nesta quinta-feira a suspensão da Convenção Europeia de Direitos Humanos enquanto durar o estado de emergência que começou hoje, um período que poderia ser de 40 ou 45 dias, menos do que os três meses anunciados.

Numan Kurtulmus, vice-presidente do Governo, explicou que a suspensão da Convenção será feita "como na França", em alusão às medidas tomadas nesse país com a declaração do estado de emergência por causa dos atentados terroristas dos últimos meses.

Em declarações para a imprensa em Ancara, Kurtulmus disse que o governo tem como objetivo que o estado de emergência só seja prolongado por 40 ou 45 dias, e não os três meses anunciados ontem pelo presidente, Recep Tayyip Erdogan.

O chefe do Estado já tinha explicado ontem que a declaração de emergência busca assegurar a democracia e localizar os responsáveis pela tentativa golpista do fim de semana passado.

Nesse sentido, Kurtulmus insistiu hoje em que a declaração do estado de emergência não significa a aplicação da lei marcial e que os cidadãos não serão afetados.

"O direito de reunião e manifestação não serão cancelados. Não vai haver toque de recolher, não haverá nenhum retrocesso nos avanços democráticos", afirmou o vice-primeiro-ministro.

Kurtulmus prometeu que o "parlamento ficará aberto e funcionando".

Além disso, voltou a culpar da tentativa de golpe de Estado do fim de semana passado o clérigo islamita exilado nos Estados Unidos Fethullah Gülen, do qual disse que comanda uma "organização terrorista".

"Seu objetivo (dos golpistas) não era um golpe de Estado. Era matar o presidente Erdogan e levar o país a uma guerra a longo prazo com a Síria", disse.

Em relação ao pedido formulado pelos EUA para que extradite Gülen, Kurtulmus pediu a Washington que se ponha no lugar da Turquia.

"Como se sentiriam se um sacerdote tivesse tentado destruir os EUA e ir para a Turquia viver em uma mansão", comentou.

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