Discurso de Trump na convenção republicana gera críticas e reações nos EUA

Pedro Alonso.

Cleveland (EUA), 22 jul (EFE).- O discurso realizado por Donald Trump para aceitar a indicação como candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos gerou uma onda de reações pelo país, a maior parte delas crítica às declarações do empresário.

No encerramento da Convenção Nacional Republicana em Cleveland, no estado de Ohio, Trump pintou um panorama sombrio do país, que descreveu como humilhado e em decadência. Além disso, se postulou como o candidato da "lei e da ordem", disposto a salvar os EUA.

A convenção, que começou na segunda-feira e foi marcada pela divisão do partido em torno da figura de Trump, rebeliões de delegados e a polêmica de plágio no discurso de sua esposa, Melania, se rendeu ontem ao empresário.

Horas depois de subir ao palco, o empresário classificou o evento de uma "das melhores convenções de todos os tempos" e uma mostra da "unidade" do Partido Republicano que, curiosamente, Trump só mencionou em duas oportunidades durante seu longo discurso.

"O partido se uniu", afirmou Trump em um ato em Cleveland, ao lado de seu companheiro de chapa, o governador de Indiana, Mike Pence.

A visão contrasta com o polêmico discurso do principal rival de Trump nas eleições primárias, o senador Ted Cruz, que se negou a apoiar o empresário e pediu que os americanos "votem com consciência" no pleito presidencial do próximo dia 8 de novembro.

"Não quero seu apoio. Se apoiar, não aceitarei", disse Trump.

O fato é que o discurso do candidato republicano à Casa Branca gerou tantas reações que praticamente não se fala de outra coisa hoje nos EUA. Até o presidente do país, Barack Obama, citou as declarações de Trump durante uma entrevista com o presidente do México, Enrique Peña Nieto, após uma reunião bilateral.

Obama criticou hoje a mensagem de Trump por afirmar que o país está "à beira do colapso" e disse que esse tipo de declaração "não se baseia em fatos". O empresário também culpou a administração de Obama de problemas como o aumento da criminalidade em grandes cidades, estatística também rebatida pelo líder.

O presidente participará da Convenção Nacional Democrata na próxima semana, na Filadélfia, para apoiar Hillary Clinton como a indicada do partido nas eleições de novembro.

A campanha de Hillary, a quem Trump acusou em seu discurso de deixar um legado de "morte, destruição, terrorismo e fraqueza" como secretária de Estado (2009-2013), afirmou que o candidato republicano "não propôs soluções reais" para os desafios do país.

"Trump desenhou uma imagem sombria dos EUA em decadência. Sua solução - mais medo, mais divisão, mais ira e mais ódio - foi uma nova lembrança de que ele não é qualificado para ser presidente", disse o chefe de campanha de Hillary, John Podesta.

O senador Bernie Sanders, adversário da ex-primeira-dama nas primárias democratas, também criticou o discurso do empresário, do qual destacou a frase: "Eu sozinho posso consertar isso".

"Trump: 'Eu sozinho posso consertar isso'. Esse cara está se candidatando a presidente ou ditador?", escreveu Sanders no Twitter.

Os principais veículos da imprensa americana, que Trump classifica como "desonestos", avaliaram com reservas e ceticismo o discurso do candidato republicano na convenção.

O jornal "The Washington Post" dedicou um editorial hoje a Trump, que chamou de "candidato do apocalipse" que, além de demagogo, carece de "verdadeira liderança".

Já o "The New York Times", também em editorial, disse que Trump promove uma campanha de medo e o reprovou por não oferecer "nenhuma solução além de seu messiânico retrato de si mesmo".

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