Juiz ouve freiras do convento onde ex-secretário argentino escondeu dinheiro

Buenos Aires, 22 jul (EFE).- Um juiz da Argentina tomou nesta sexta-feira os depoimentos de duas freiras que vivem no convento da província de Buenos Aires onde o ex-secretário de Obras Públicas, José López, foi detido no último dia 14 de junho quando tentava esconder bolsas com US$ 8,9 milhões.

As religiosas María e Marcela se apresentaram esta manhã no tribunal federal de Buenos Aires para depor perante o magistrado Daniel Rafecas, que ordenou que fossem escoltadas e que se blindasse o andar no qual aconteceu o encontro.

López, que trabalhou como secretário de Obras Públicas durante os governos de Néstor Kirchner (2003-2007) e Cristina Kirchner (2007-2015), foi detido na madrugada de 14 de junho quando tentava deixar o dinheiro e outros objetos de valor no mosteiro Nossa Senhora do Rosário de Fátima, da cidade de General Rodríguez, na província de Buenos Aires, enquanto portava um fuzil calibre 22.

Segundo revelaram fontes judiciais à agência estatal "Télam", uma das freiras disse hoje ao juiz que Alba, a madre superiora do convento, lhe tinha pedido que estivesse "atenta ao portão" porque "José" iria sair.

O ex-funcionário foi indiciado por "enriquecimento ilícito" - acusação pela qual é investigado há oito anos- e permanece detido na prisão da cidade de Ezeiza, também na província de Buenos Aires.

Embora López tenha se negado a falar em seu primeiro encontro com Rafecas, seu advogado Fernando García afirmou nesta quinta-feira que em sua próxima audiência, em 5 de agosto, "vai dizer alguma coisa".

O magistrado também convocou para depor, neste caso como investigados, a freira Inés Aparicio - depois da divulgação de um vídeo que mostra como supostamente ajudou López a guardar as bolsas - assim como a esposa do ex-secretário e dois empresários que o promotor Federico Delgado considera possíveis "testas-de-ferro".

No meio da polêmica, se questiona qual é o perfil exato das freiras que vivem no mosteiro e, se do ponto de vista estrito, são ou não freiras.

Já em junho, o arcebispado ressaltou em comunicado "que as chamadas 'religiosas' constituem uma associação privada de fiéis, cujo governo é autônomo".

Além disso, o arcebispado ao qual pertence o mosteiro anunciou esta semana que impulsionará uma investigação "completa" sobre o ocorrido de acordo com as normas de direito da Igreja.

O padre Tom O'Donnell, que foi designado para liderar as investigações, explicou que tentará determinar se as freiras do convento cumpriram com seus estatutos internos.

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