Nova Constituição papal põe ordem nos conventos de clausura

Cristina Cabrejas.

Cidade do Vaticano, 22 jul (EFE).- Diante dos problemas econômicos e de vocações nos conventos dedicados à vida contemplativa, o papa Francisco redigiu uma nova Constituição com a qual organiza e dá novos nortes às religiosas que vivem na clausura.

O Vaticano publicou nesta sexta-feira a Constituição apostólica "Vultum Dei Quaerere (A busca da face de Deus)", assinada por Francisco em 29 de junho e que regula à vida dessas mulheres, em substituição à anterior "Sponsa Christi" de 1950. Embora o pontífice não cite os escândalos, tanto financeiros quanto os de freiras estrangeiras sequestradas durante anos nos conventos, o documento dita novas normas para evitar irregularidades e para garantir a sobrevivência de muitas destas ordens de clausura.

A necessidade de um novo documento se deve "ao rápido avanço da história humana nos 50 anos transcorridos desde o Concílio Vaticano II e daí a necessidade de entabular um diálogo com a sociedade contemporânea". O texto inclui 12 temas de reflexão sobre a vida consagrada em geral e conclui com 14 artigos dispositivos, exclusivamente para os conventos femininos.

Entre as reflexões, o papa expressou apreço pelas "irmãs contemplativas", que se dedicam ao silêncio e a oração, e destacou que a Igreja precisa delas, embora reconheça que "não se trate de uma missão simples" nestes tempos.

A primeira indicação às freiras enclausuradas é a necessidade de atualização e sobre isso o papa aconselhou "cursos específicos de formação, mas fora do mosteiro". A fim de garantir uma formação adequada permanente, ele indicou "a troca de material de estudo" entre conventos e o uso de "comunicação digital", embora tenha ressaltado "a necessária de discrição" para que isto as distraia da missão.

O documento destina espaço especial à preocupação da sobrevivência dos conventos e dos quase 3.600 mosteiros femininos que existem no mundo, a maioria de clausura, segundo dados da Comissão Episcopal de Vida Consagrada.

De acordo com a Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), o país tem hoje muitos conventos de freiras enclausuradas e só com cadastro neste organismo há 60, mas o número é muito superior, já que a inscrição na instituição é opcional.

No "Vultum Dei Quaerere", Francisco ressaltou a importância evitar o "recrutamento de candidatas de outros países com a única finalidade de garantir a sobrevivência do mosteiro" e lembrou a "lista dos requisitos necessários para a autonomia jurídica de uma comunidade, entre os quais a capacidade formativa e de gestão, a inserção na Igreja local e a possibilidade de subsistência". Caso não haja esses requisitos, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada "avaliará a oportunidade de constituir uma comissão ad hoc" para "uma revitalização do mosteiro ou o seu fechamento".

O pontífice parabenizou o ofício das freiras e frisou o "trabalho que as contemplativas devem realizar com devoção e fidelidade, sem se deixar condicionar pela mentalidade da cultura contemporânea, que aposta na eficiência". EFE

ccg/cdr

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