Turquia avisa que vai debater sobre pena de morte sem levar em conta a UE

Ancara, 22 jul (EFE).- O governo da Turquia insistiu nesta sexta-feira que o debate sobre a reintrodução da pena de morte é uma questão nacional e que não está preocupado com possíveis reações da União Europeia (UE) ou que a decisão poderia bloquear a entrada do país no grupo comunitário.

"Nós não trabalhamos pensando como a UE vai reagir, mas como um Estado de direito", afirmou o ministro da Justiça, Bekir Bozdag, em uma entrevista à emissora "CNNTürk".

O ministro voltou a lembrar que, após o fracassado golpe da semana passada, aconteceram manifestações maciças onde o povo pediu a reintrodução da pena de morte para os golpistas, abolida definitivamente em 2004.

Bozdag rejeitou as advertências de Bruxelas que nenhum país que executa sentenças de morte pode entrar na UE.

"Temos regulamentada a pena de morte. Inclusive acrescentamos um artigo à Constituição dizendo que não poderia ser reintroduzido. Nos aceitaram na UE? Não. Sempre encontram uma razão para não nos aceitar. Eles não terão dificuldade em encontrar uma desculpa para nos manter fora", disse o ministro.

Por isso, garantiu, o Executivo não levará em conta as considerações da UE mas sim "os interesses do Estado e da nação".

Bozdag também informou hoje que foram enviadas para os Estados Unidos as provas pedidas sobre o pedido de prisão e extradição de Fetullah Gülen, um clérigo islamita que vive nesse país desde 1999 e que o governo turco acusa de organizar o golpe.

Além disso, o ministro disse que o governo pretende usar ao mínimo o recurso dos decretos-lei que permite o estado de emergência que começou ontem.

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