Argentinas fazem "mamaço" após jovem ser proibida de amamentar em público

Irene Valiente.

Buenos Aires, 23 jul (EFE).- Centenas de mulheres se reuniram neste sábado em diferentes lugares públicos da Argentina para amamentar seus bebês em um "mamaço" como protesto após uma jovem de 22 anos denunciar na semana passada que a polícia a proibiu de amamentar o filho em público.

No dia 12 de julho, Konstanz Santos saiu de um banco situado no centro de San Isidro, cerca de 20 quilômetros ao norte da capital argentina, e se sentou em uma pracinha para dar o peito ao filho de nove meses.

Foi então que duas mulheres policiais se aproximaram para pedir documentos de identidade à jovem e comunicar que era "proibido" amamentar em lugares públicos. Konstanz questionou que lei estabelecia essa restrição e uma das agentes "agarrou" seu braço para que se levantasse, segundo relatou a afetada ao jornal "El Argentino Zona Norte".

"Tive que ir embora com o bebê chorando", disse a jovem, que recorreu à justiça e a várias delegacias, mas nenhum lugar aceitou a denúncia pela agressão.

Após o ocorrido, María de Velasco, uma mãe da mesma cidade que não conhece Konstanz, decidiu convocar um "mamaço" pelo Facebook na pracinha onde ocorreu o caso, o considerou "uma brincadeira" degradante e "inimaginável", disse à Agência Efe.

Logo em seguida, o protesto contou com a adesão de organizações sem fins lucrativos e mães de todos os cantos do país. Ao ver a dimensão da convocação, De Velasco entrou em contato com a jovem, que detalhou o que houve e confessou que não iria à manifestação por medo da possível exposição do filho.

Dezenas de mães amamentaram seus bebês nessa mesma pracinha acompanhadas de aproximadamente mil neste sábado, ato que lotou o lugar e as ruas adjacentes, nas quais era possível ver crianças com bebês de brinquedo, homens com bonecas de pano e pessoas de todas as idades com tambores e cartazes de mensagens como "amamentar é dar amor".

"Não podem privar os bebês de algo tão básico como sua alimentação", denunciou Romina Aguilar enquanto amamentava Silverio, seu bebê de 21 meses.

Aguilar não pôde amamentar a primeira filha porque teve que retornar logo ao trabalho e afirmou que a informação que recebeu sobre seus benefícios foi "ruim".

"Perdi uma coisa maravilhosa, que é amamentar. É o que o bebê necessita, é seu direito. Enquanto ele quiser, continuará a mamar no peito", comentou, ao contar que ajudou seu bebê prematuro a crescer são e forte com o ato de amamentar.

A amamentação pública se repetiu neste sábado no icônico obelisco de Buenos Aires e em outras diversas cidades do país como La Plata, Rosário, Córdoba, Salta, Resistência, Mar del Plata e Neuquén.

A polêmica gerada nesta semana sobre a atitude das duas policiais foi tamanha que chegou à imprensa e, na sexta-feira, as apresentadoras do "Notícias 10", um programa de televisão da província de Río Negro, amamentaram os filhos ao vivo.

Nas redes sociais, um grande número de mulheres se uniu ao "mamaço" com imagens nas quais davam o peito a seus bebês, inclusive celebridades argentinas.

Para Aguilar, ainda existe "um tabu muito grande" sobre o tema devido à falta de informação e por conta de uma geração criada com mamadeira. Segundo ela, são essas pessoas que devem ensinar o contrário às filhas.

Aguilar também disse que os homens se uniram à causa e destacou que muitas vezes são mais permissivos do que algumas mulheres. Entre eles se encontra Andrés Costa, que compareceu à pracinha nste sábado com a esposa e o filho, Valentín, de sete meses, para reivindicar que cada mãe seja "livre" para alimentar os filhos como quiser.

Segundo disse à Agência Efe, o que aconteceu com Konstanz foi algo "cruel" e por isso insiste em que os pais "ajudem as autênticas protagonistas": as mamães.

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