G20 quer separação rápida e amistosa entre Reino Unido e UE

Antonio Broto.

Chengdu (China), 24 jul (EFE).- Os ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G20 finalizaram neste domingo dois dias de reuniões em Chengdu, na China, onde chegaram à conclusão que o "Brexit", principal tema das conversas, gera dúvidas na economia mundial que devem ser resolvidas de forma rápida e amistosa.

A declaração final do encontro afirma que "o resultado do referendo acrescenta incerteza à economia mundial" e que as 20 grandes economias globais estão "bem posicionadas" para encarar as consequências do "Brexit" e desejam que o Reino Unido continue a ser "um parceiro próximo" da União Europeia.

Essa postura conciliadora também foi demonstrada pelo comissário de Economia e Finanças da UE, Pierre Moscovici, quem em entrevista coletiva após o encerramento da reunião do G20 falou de Londres como futuro "parceiro estratégico" de Bruxelas.

"O Reino Unido não será mais um membro da UE, mas sempre será um país europeu, e um dos grandes, tanto econômica como politicamente", destacou o francês, que insistiu na necessidade de agilizar o processo de saída nas conversas em Chengdu com o colega britânico Philip Hammond.

Moscovici disse a Hammond que "quanto antes (ocorrer a saída), melhor, porque tudo isto gera uma incerteza que também pode afetar a própria economia britânica", no primeiro encontro de ambos desde que o britânico assumiu o cargo no novo gabinete de Theresa May.

O comissário europeu também disse compreender que May tenha pedido em recentes conversas com líderes de França e Alemanha que se "dê um tempo" para o Reino Unido negociar a saída da UE, mas insistiu que "se pagar o bilhete tem que ocupar o assento".

Moscovici também quis diminuir o dramatismo a respeito do "Brexit" ao dizer que os efeitos negativos sobre a macroeconomia europeia e britânica podem ser evitados se forem tomadas as medidas necessárias.

"Podemos evitar ou limitar o possível impacto negativo do "Brexit", e claramente os responsáveis políticos podem fazer isso de duas maneiras, a primeira é trabalhar para reduzir a incerteza o mais rápido possível", afirmou o francês.

Uma maior esclarecimento sobre os passos que o Reino Unido dará para sair da UE, assim como "um impulso ao investimento, a reformas estruturais e políticas fiscais inteligentes" por parte de britânicos e europeus podem evitar as avaliações preliminares que a Comissão Europeia fez na semana passada.

Nelas, o governo comunitário calculou que o "Brexit" pode diminuir entre 0,3% e 0,6% o PIB da UE e de 1% a 1,75% o do Reino Unido, números que Moscovici fez questão de alertar que eram "avaliações, não prognósticos", por isso podem ser evitados se Bruxelas e Londres se esforçarem.

O "Brexit" dominou o encontro do G20 em Chengdu, o último de nível ministerial neste ano antes da cúpula de líderes de Hangzhou em setembro, e ofuscou outros temas também esperados, como o recente golpe de Estado na Turquia, um dos membros da organização.

"Houve um breve discurso do representante turco e tive um encontro bilateral com ele, mas não houve uma discussão geral e isso não foi mencionado na declaração final", admitiu Moscovici, em relação às intenções de Ancara de incluir um parágrafo que condenasse a tentativa de golpe militar.

O texto da declaração final foi lido pelo ministro das Finanças chinês, Lou Jiwei, que mencionou outros fatores negativos para a economia mundial junto ao "Brexit", como "os conflitos geopolíticos, o terrorismo e os fluxos de refugiados, que complicam o entorno econômico mundial".

Outros fatores de instabilidade no panorama global são a forte oscilação das matérias-primas e a baixa inflação em alguns países, elementos que deixam uma economia mundial "mais frágil que o desejável", ressaltou a declaração de Chengdu.

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